A Assembléia Legislativa (AL) do Estado realiza no próximo dia 4 uma audiência pública com parlamentares, ambientalistas e comunidade para debater a construção de seis usinas hidreléticas no Paraná quatro delas, ao longo do Rio Tibagi. O projeto para a construção das unidades já tem mais de 10 anos de discussão, mas entrou recentemente na fase final de estudo licitatório.
Contrário à medida juntamente com um grupo de deputados, o pedetista Barbosa Neto afirmou ontem, em entrevista à Folha, que aguarda a resposta do Governo do Estado ao requerimento protocolado por ele, há cerca de um mês, no qual pede a suspensão do procedimento de estudos para licitação com vistas à contratação de empresas que construiriam as seis usinas.
Na avaliação do parlamentar, o estudo de impacto ambiental feito há 11 anos é ''precário e antigo, no mínimo precisa ser atualizado'', uma vez que, segundo ele, as obras impactariam negativamente no meio ambiente, atingido tanto na fauna e flora quanto nas reservas indígenas próximas. Atualmente, o estudo está sob análise do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
No Tibagi, rio que abastece Londrina e região, as quatro hidrelétricas estão previstas para a região do Cebolão e para os municípios de Mauá da Serra, São Jerônimo da Serra e Jataizinho. Pouco depois de protocolar o requerimento pedindo a suspensão da licitação, Barbosa recebeu da Universidade Estadual de Londrina (UEL) um ofício agradecendo a iniciativa. O documento é assinado pela professora Maria Josefa Santos Yabe, diretora do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente (Nema), e pelo diretor do Centro de Ciências Exatas (CCE) da instituição, Antonio Carlos Mastine. No documento, o grupo destaca que a construção das hidrelétricas na bacia do Tibagi, ''com obstrução de suas águas, provoca impactos ambientais que ultrapassam sua capacidade de regulação e manutenção do equilíbrio ambiental''.
''Não podemos admitir que o Governo construa usinas sem uma discussão mais ampla com a comunidade. É para isso que estamos fazendo audiências como a marcada para outubro'', destacou. Além do parecer dos estudiosos da UEL, o deputado ainda elencou uma série de impactos para embasar a opinião contrária ao projeto: ''Temos pelo menos três reservas indígenas nas áreas que serão alagadas com as usinas, e uma gama importante de vegetação e espécies animais que seriam prejudicadas. São pelo menos 5,5% do território paranaense que seriam imergidos com isso'', criticou, para afirmar em seguida que encaminhará à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e aos Ministérios Públicos Estadual e Federal os resultados dos debates com a comunidade.

mockup