Audiência sobre pedágio termina em confusão
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Terminou em confusão a audiência pública que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou ontem em Curitiba para discutir a instalação de três novas praças de pedágio em rodovias federais dentro do Paraná. Integrantes do Fórum Popular Contra o Pedágio chegaram protestando no início da tarde argumentando falta de divlgação da audiência. Houve agressões físicas entre o coordenador regional do Fórum, Acyr Mezzadri (PMDB), e o presidente regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná, João Chiminazzo. A audiência foi cancelada e por isso os editais e os contratos com as concessinárias não foram discutidos.
Apesar de três praças de pedágio estarem previstas para o Paraná no lote de 3 mil quilômetros que vão ser privatizados pelo governo federal (1.175 km ficam no Estado), a audiênica pública só aconteceu no Paraná depois que o Ministério Público (MP) federal exigiu. A grande polêmica é a instalação de uma praça na BR-116 antes da Estrada da Graciosa. Como também haverá praça de pedágio antes da entrada de Garuva (SC), na BR-376, não haveria mais caminho alternativo, ou seja sem cobrança de pedágio, ao Litoral paranaense. A audiência aconteceu somente pela manhã, quando foi discutida a viabilidade do pedágio.
O secretário de Assuntos Metropolitanos de Curitiba, Domingos Caporrino, que foi à audiência pela manhã representando a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec), reivindicou que a praça prevista para a BR-116 fosse instalada mais para frente do ponto previsto para não ''fechar'' a entrada da Estrada da Graciosa e para não prejudicar moradores de algumas cidades da região metropolitana, como Campina Grande do Sul e Quatro Barras. ''Foi bem aceito pela ANTT. Ficaram de rever porque para alterar isso é preciso rever outras variáveis. Mas basta boa vontade política'', afirmou Caporrino.
No período da tarde integrantes do Fórum Popular Contra o Pedágio chegaram à audiência protestando porque, segundo eles, no edital a ANTT só divulgou o horário da tarde. ''Aquilo foi um acinte. Tinham cadeiras reservadas na frente para o pessoal das concessinárias. Foi uma discriminação da ANTT. Nos enganaram. Queremos outra audiência, com ampla divulgação'', reclamou Mezzadri. Pessoas que estavam presentes afirmaram que Mezzadri, ao manifestar seu protesto, agrediu verbalmente e deu dois empurrões em Chiminazzo. A confusão foi contida e, alegando falta de segurança, os membros da ANTT encerraram a audiência e consideraram o trabalho concluído no Paraná.
''A ANTT tem que marcar uma nova audiência. Não ficamos satisfeitos. E se for preciso vamos requisitar novamente a audiência. Caso não sejamos atendidos podemos usar a via judicial'', afirmou o procurador do MP federal em Curitiba que exigiu a realização da audiência na Capital, Elton Venturi. O coordenador do Procon-PR, Algaci Túlio, foi o único representante do governo na audiência. Túlio afirmou que o órgão vai entrar na Justiça para impedir que a praça seja instalada antes da Estrada da Graciosa e também vai exigir que seja feita uma audiência explicando a forma de cálculo da tarfia.
O deputado José Domingos Scarpelini (PSB), que apartou a briga entre Mezzadri e Chiminazzo, também fez muitas reclamações na audiência sobra a praça antes da Graciosa. Como presidente de uma Comissão da Assembléia Legislativa que vai analisar a questão, afirmou que se for preciso também vai entrar na Justiça contra a instalação da praça. O deputado também reclamou da falta de divulgação da audiência.
A ANTT informou apenas que a audiência foi cancelada, que não haverá outra, e que não ia comentar as propostas que foram feitas. A ABCR informou, por meio de nota, que o motivo da agressão foi porque Chiminazzo denunciou Mezzadri em dezembro como líder da invasão à praça de pedágio da Rodonorte, em São Luiz do Purunã. A ABCR informou também que ''é uma vergonha a politização da questão do pedágio no Paraná, onde em vez de debate o que se viu foi uma praça de guerra''.


