A proposta era discutir crise universitária, mas a pauta ficou centrada mesmo na questão salarial, ontem, durante audiência pública na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A comissão de educação da Assembléia Legislativa, que promoveu o evento, deve ficar como intermediária na tentativa dos funcionários da UEL de retomar as negociações salariais com o governo. ''Ainda há possibilidade de greve'', alertou o presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Itamar Nascimento.
Segundo o presidente da comissão, deputado estadual Tadeu Veneri (PT), é preciso estabelecer um prazo ''até o final do mês'' para que o governo faça alguma proposta de reajuste. A reivindicação de funcionários e docentes, que no último dia 12 de maio fizeram um dia de paralisação, é um reajuste de 62%. ''É preciso sensibilizar o governo para viabilizar uma saída rápida para um problema que atinge não só a UEL. Temos que encontrar recursos sem cair na solução fácil de apelar para a iniciativa privada'', disse.
Para o vice-reitor da UEL, professor Eduardo Di Mauro, a crise ''é principalmente financeira'', e não abrange somente salários, mas também custeio e investimentos na universidade. ''Os salários estão defasados, mas o repasse do governo também é insuficiente para manter serviços de extensão e pesquisa'', afirmou.
Ontem, Di Mauro apresentou números ''um pouco diferentes do que o governo divulga'' que mostram a diminuição do investimento nas universidades estaduais. Segundo ele, de 1998 para cá os repasses só diminuíram em relação ao arrecadado com Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ''Em 98, o recurso destinado ao ensino superior representava mais de 12% do ICMS e hoje não representa 6%, isso porque a arrecadação de ICMS teve uma taxa de crescimento significativa, de 25% ao ano'', apontou.
Discutir crise salarial, para Itamar Nascimento, é pensar também no reflexo que isso traz para outros setores da universidade. ''A crise salarial reflete em vários setores, na desmotivação de funcionários, na evasão de professores em busca de salários melhores, e até na queda da qualidade de ensino'', afirmou. Também fazem parte da comissão de educação da Assembléia os deputados Elza Correia (PMDB) e Barbosa Neto (PDT), que participaram ontem da audiência.

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