Se o Plenário da Câmara de Vereadores assim o definir, na próxima semana, a discussão sobre o novo Plano Diretor para Londrina deve ficar apenas para a próxima Legislatura, renovada em mais de 70%, e para o próximo prefeito, posto cuja chefia segue indefinida desde 28 de novembro com a cassação do registro de Antonio Belinati (PP) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pedido para que a matéria - há seis meses na Casa - tenha tramitação interrompida foi feito ontem na audiência pública, no Legislativo, da qual participaram atuais e futuros vereadores, representantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) e organismos da sociedade civil organizada. Cerca de 120 pessoas compareceram.
Na sessão de hoje os vereadores discutem se aprovam ou não a admissibilidade de dois dos oito projetos complementares que definem o novo Plano Diretor, por completo. Líder do Executivo e presidente da CCJ, o vereador Gláudio Renato de Lima (PT) já avisou que a orientação da comissão é para que a tramitação de ambos não seja admitida por falta de tempo hábil à elaboração de pareceres das demais comissões e discussão com a comunidade. O mesmo posicionamento foi defendido pelo relator do projeto que trata da lei geral, Tercílio Turini (PPS), o qual entendeu o adiamento da discussão como ''prejuízo'' ao trabalho já desenvolvido.
''É um prejuízo porque essa discussão é longa, se arrasta já há anos (pelo mneos desde 2004). E a Câmara acumulou experiência nesse projeto, temos todo um subsídio para votá-lo - para os novos vereadores e o próximo prefeito, seria uma etapa vencida'', justificou. ''Mas infelizmente com a estrutura acanhada do Ippul, não foi possível que o Executivo nos encaminhasse antes a proposta completa. Se ano que vem os novos começarem do zero, aí, o prejuízo será enorme'', considerou.
Professor de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Faraco foi um dos favoráveis à não aprovação este ano. ''O Plano é resultado de um trabalho extenso, mas carece de amadurecimento. Há muitos questionamentos ainda que precisam ser feitos com as leis setoriais. Não há prejuízo.'' Mais taxativo, o advogado e membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma), Carlos Levy, destacou que a não-votação se justifica, por si só, ''porque não teve debate das leis cmplementares, e a resolução do Conselho das Cidades prevê que isso deve ser feito na lei geral e que haja, para tal, um cronograma de discussão que infelizmente o Ippul, desde 2006, não traçou: ele simplesmente coloca as leis e deixa 'o pau comer'''.
O presidente do Ippul, João Baptista Bortolotti, descarta prejuízo no adiamento do debate, nega que não tenha havido discussão com a comunidade e acredita ser possível votar apenas as leis complementares na próxima gestão. Mas admitiu: a lei de uso e ocupação do solo, ''a mais complexa'' e pode evitar distorções no zoneamento da cidade a partir da Câmara, sequer está pronta.

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