Audiência discute trabalho infantil
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Prefeitos e presidentes de câmaras de vereadores de diversos municípios do Estado estiveram reunidos na manhã de ontem, em Curitiba, no auditório do Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores do Estado do Paraná (Cietep), para participar de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Paraná. O objetivo foi mostrar a importância do investimento de recursos do orçamento municipal para a erradicação do trabalho infantil.
Segundo lei orçamentária, é obrigação de cada cidade investir no mínimo 5% em projetos que beneficiem crianças e adolescentes. No encontro, a procuradora do MPT, Margaret Matos, disse que os responsáveis dos municípios que não cumprirem com esta obrigatoriedade ou se omitirem sobre o assunto estão sujeitos a processo e a pagar indenização por danos coletivos. O valor seria retirado do patrimônio pessoal do acusado.
O anúncio não agradou as autoridades presentes. O presidente da Câmara dos Vereadores de Toledo, Renato Reimann (PP), acredita que a exigência não condiz com a realidade de cada município. Eu não concordo com o que foi solicitado. Temos que ter recursos para isso. É possível criar os projetos, mas não dessa forma.
A procuradora Margaret diz que a prioridade de cada município é realizar projetos em prol de crianças e adolescentes, mas muitas vezes as cidades gastam mais com publicidade ou terceirizando outros serviços. Por isso, será avaliado o orçamento de cada município do Estado para verificar quais ações foram criadas para o fim do trabalho infantil.
Todos os municípios do Estado receberão uma notificação recomendatória com um prazo para que apresentem ao MPT os trabalhos realizados. A partir disso será instalado procedimento investigatório para ver se o compromisso foi realizado. Caso nada tenha sido feito, as autoridades receberão uma solicitação de ajustamento de conduta. Se novamente não surtir efeito, o caso passará por processo no Ministério Público.
A lei determina que projetos que beneficiem crianças e adolescentes devem ter prioridade na divisão de recursos orçamentários. A partir daí a verba pode ser dividida entre as outras necessidades do município, explica Margaret.


