Patrícia Zanin
Os governos devem adotar urgentes medidas políticas de investimentos para garantir o acesso dos jovens à educação e ao emprego, pelos quais eles aumentarão sua participação política na vida do País. Essa foi a principal indicação da 1ª Conferência Internacional de Jovens Líderes, realizada recentemente em Taipé (Taiwan). O Brasil foi representado na Conferência pelo estudante do curso de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gustavo Castro, 20 anos. Castro é coordenador da juventude do PSDB do Paraná e disputou a vaga para Taiwan com outros cinco brasileiros. Ganhou porque, na opinião dos avaliadores, fez a melhor monografia sobre o tema proposto - ‘‘Situação política do jovem brasileiro’’.
Na monografia, de dez páginas (ver nesta página), Castro chama a atenção para a importância de o governo rever sua atuação ao possibilitar aumento dos investimentos na educação e ampliação do acesso ao trabalho. No texto original, o estudante também destaca a atuação descontínua do jovem brasileiro na vida política do País. Lembra da intensa atividade dos jovens no período da ditadura militar e cita ainda a participação deles no processo das ‘‘Diretas-Jᒒ, em 1984, e do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992.
‘‘Na época do regime militar, essa participação era mais ideológica. Atualmente, o jovem vai às ruas e à luta quando é empurrado’’, diz o estudante. Ele tem seu próprio diagnóstico sobre a apatia que domina o jovem, desestimulando-o a engrossar tanto as fileiras do movimento estudantil como a integrar partidos políticos. ‘‘Ele não enxerga que essa atuação possa oferecer algo diretamente a ele, não se sente ator do processo’’, analisa.
Castro conheceu experiências de representantes de 64 países que participaram da Conferência em Taiwan, que reuniu 200 pessoas, e acredita que grande parte da participação do jovem na vida política de suas comunidades têm relação com o estímulo dado principalmente por organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham com políticas de juventude. ‘‘A existência de organismos governamentais também pode contribuir, desde que o jovem seja agente do processo.’’
Segundo ele, o Brasil foi o único dos países representados no encontro que não tem um órgão específico para tratar da juventude. ‘‘Quem conhece o problema da juventude é o jovem’’, avalia Castro. Ele diz que para resolver problemas como gravidez precoce, prostituição infanto-juvenil, drogas, evasão escolar e violência, presentes no cotidiano de grande parte dos jovens, a própria juventude precisaria ser ouvida para propor soluções.
Mas ele acredita que não adianta criar uma estrutura federal que dê voz ao jovem se as instâncias estaduais e municipais também não fizerem o mesmo. ‘‘Seria importante chamar para a discussão órgãos governamentais e entidades associativas nas áreas da cultura, da educação e do esporte para discutirmos problemas e encaminharmos propostas de correção de rumos’’, defende.
O estudante diz que, no ano 2000, 40% da população brasileira será formada por jovens. ‘‘É preciso olhar para as demandas, chamar a atenção do poder público, mas também apresentar soluções viáveis.’’ Ele acredita que a ampliação do investimento em educação poderá dar mais subsídio para o futuro mercado de trabalho. Reconhece, porém, que os investimentos do governo na área deixam muito a desejar. ‘‘Aqui o investimento varia de 3% a 5%. Em Taiwan, por exemplo, o governo deve investir, no mínimo, 15% em educação. Está lá, na Constituição.’’

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