Na semana passada causou espanto, e até mesmo alguma gratidão, o fato de o presidente do Senado ter mantido uma atuação isenta, embora realmente não goste do ministro das Comunicações nem concorde com a sua indicação para o ministério da Produção, que será criado pelo presidente Fernando Henrique. Além de aceitar a idéia da ‘‘visita’’ do ministro do Senado, evitando assim que ele fosse convocado, o presidente do Senado ainda deu uma dica valiosa.
‘‘Ele achava que o depoimento poderia ser bom, desde que ele (Mendonça de Barros) não se saísse mal tecnicamente’’, conta um interlocutor do político baiano. O ministro Mendonça de Barros teria sido avisado de que, se chegasse ao plenário ‘‘com empáfia não iria muito longe’’. Foi antes de sugerir, por meio da imprensa, que o ministro tomasse Lexotan, um dos calmantes mais vendidos no País, para dominar seu gênio.
‘‘Ele ajudou muito’’, avaliou um influente líder partidário. ‘‘Só o fato de deixar o debate fluir normalmente foi uma forma de ajudar; além disso, nos bastidores ele foi muito cooperativo’’. Segundo esse político tucano, Antonio Carlos Magalhães ‘‘não jogou contra o Mendonça de Barros’’ e ainda aconselhou o ministro sobre como ‘‘se comportar numa situação dessas’’. ‘‘Ele não tem muita simpatia pelo ministro nem pelo Ministério da Produção, mas agiu com brio e isenção’’, emendou.
‘‘Ele achou que o ministro não tinha sido convincente, ele não gostou do depoimento’’, confirmou um importante interlocutor. ‘‘Preferiu ficar quieto’’. Segundo essa fonte, o silêncio de ACM, contudo, é ‘‘sintomático’’. ‘‘Se ele tivesse gostado teria dado uma declaração bombástica, defendendo o ministro’’, acrescentou. ‘‘O Antonio Carlos sai fortalecido porque agiu de maneira fundamental para reequilibrar a situação’’, disse um político da oposição. E não atrapalhou depois, ao deixar de comentar que não gostou das explicações do ministro. (A.E.)

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