Na Câmara de Vereadores de Londrina, houve um aumento do número de representantes com curso superior completo. O índice subiu de 47,6%, na legislatura passada, para 66,6% nesta gestão. Segundo a socióloga Maria José de Rezende, a realidade do Legislativo ilustra a tese de que a escolaridade não pode ser tomada como tendência para definir uma maior ou menor representação das camadas mais populares na composição do quadro político atual. ''O que se vê é um preconceito do eleitor com relação ao grau de instrução dos candidatos. Ele passa a achar que um indivíduo mais instruído do que ele tomará as melhores decisões'', avalia a socióloga.
Para o presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), que cumpre o seu segundo mandato, o aumento da escolaridade não alterou o trabalho. ''Isso não tem influenciado na discussão dos projetos e no desempenho do vereador dentro e fora do plenário'', afirmou. ''A atuação do vereador depende mais da formação política do que da escolaridade'', acrescentou. Turini informou que todas as assessorias da Câmara são colocadas para orientar o vereador e facilitar o trabalho. ''Ele tem todo o apoio para suprir eventuais dificuldades que tem naquele momento.''
Há sete legislaturas na Câmara, o vereador Renato Araújo (PPB) salientou que o ponto principal da atuação parlamentar é a ''desenvoltura para apresentar idéias''. ''Com referência a escolaridade não há diferença. Existe atuação política. Pode ter nível superior, mas não ter atuação política. Já tivemos casos em Londrina de vereadores semi-analfabetos que foram ótimos parlamentares'', afirmou.
O vereador Orlando Bonilha (sem partido), que exerce seu segundo mandato, admite que passou por ''muita dificuldade'' no início da primeira legislatura. ''Eu tinha dificuldade para defender projetos, mas hoje a gente está procurando, a cada dia que passa, aprender mais'', afirmou. ''Eu já conversei com a nossa assessora de imprensa e pedi que ela viabilizasse alguém para me dar um curso de oratória, eu tenho esse vocabulário simples e tenho procurado melhorar'', salientou o vereador, que cometia muitas gafes no primeiro mandato.
Conforme Bonilha, a presidência da Comissão Processante contra o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), em 2000, foi crucial no seu desenvolvimento parlamentar. ''Eu senti que estava quase morrendo afogado, foi quando presidi a comissão. Foi ali que realmente caiu a ficha, o tamanho da responsabilidade que estava sobre os meu ombros'', observou. ''Muitas pessoas diziam que o vereador Bonilha não estava preparado para presidir uma comissão com tamanha responsabilidade. De maneira alguma eu fugi da minha responsabilidade.''

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