Atuação de Michel Temer é criticada
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sábado, 10 de maio de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaTimidezTemer e o deputado Hélio Bicudo: deputados cobram pulso firme do presidente da CâmaraO presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), ainda não conseguiu ter o plenário sob o seu domínio, o que se exige daqueles que comandam votações difíceis e dirigem uma Casa composta por 513 deputados tão diferentes. A avaliação, feita por amigos e adversários de Temer, leva à conclusão de que o presidente da Câmara terá que romper a timidez para dominar o plenário.
O principal tropeço de Temer ocorreu na última quarta-feira. Sucumbindo à manifestação de oposicionistas que protestaram de apito na boca, Temer simplesmente abandonou o plenário. A cadeira vazia teve de ser ocupada às pressas pelo vice-presidente Heráclito Fortes (PFL-PI). Deputados mais experientes lembraram que Temer poderia ter suspendido a sessão, convocado os líderes ao gabinete e passado um pito em todos os baderneiros.
Outra falha de Temer aconteceu há cerca de 15 dias. Durante apreciação da reforma administrativa - como na quarta-feira -, Temer encerrou a votação quando aliados do governo ainda se dirigiam ao plenário. As pressões dos oposicionistas para que o presidente encerre a sessão sempre foram feitas, mas nunca atendidas. Com Temer funcionou.
Temer alegou na quinta-feira, ao fazer uma análise sobre as confusões da quarta, que é um democrata e não pisa na minoria. Não conseguiu convencer os aliados.
Temer ainda não tem um estilo. O mais severo analista de presidentes de Câmara em atuação hoje é o deputado Chico Vigilante (PT-DF). Temer é uma geléia, sem rosto, porque tenta vender a imagem de independente, quando todos sabem que é ligado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou Vigilante.
Nem mesmo o colégio de líderes renasceu na administração de Temer, embora ele tenha prometido que isso acontecerá. Na quinta-feira o presidente da Câmara disse que vai convocar o colégio, sempre que for necessário. Se assim fizer, Temer estará adotando um estilo diferente do que marcou o ex-presidente Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), que ignorou os líderes e tomou decisões tão ou mais solitárias que as de Ulysses Guimarães.
Os antecessores de Luís Eduardo e de Temer reuniam o colégio de líderes e tinham pulso. Ibsen Pinheiro (RS), por exemplo, foi o principal nome para a autorização do impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Inocêncio Oliveira também reunia o colégio de líderes e tinha força, mesmo que tivesse de enfrentar o corporativismo. Durante sua gestão foram cassados 10 deputados - por envolvimento em corrupção, na compra de mandatos para o PSD, e nas irregularidades apuradas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento.


