Os atropelos do governo na condução da reforma da Previdência poderão custar aos cofres públicos um prejuízo de cerca de R$ 3 bilhões. Esta avaliação, feita por articuladores da reforma na Câmara, é justamente a economia que a reforma poderia trazer ao Tesouro caso entrasse em vigor ainda este ano, baixando o déficit do setor estimado em R$ 5 bilhões para cerca de R$ 2 bilhões. A emenda da Previdência foi retirada de pauta na terça-feira pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), depois de um acordo entre os partidos do governo e o endosso da oposição.
Os líderes governistas planejam retomar as votações da reforma nos dias 28 e 29 de abril. Eles alegam que, antes disso, é praticamente impossível articular qualquer votação, por causa dos feriados e de outras votações importantes que estão emperradas por causa da reforma da Previdência.
Mas o motivo mais forte para o novo adiamento da reforma da Previdência passa pela desmobilização dos aliados, que estão totalmente voltados para a reforma ministerial, e o descontentamento da base que não vê o dinheiro de suas emendas orçamentárias liberado para que as prefeituras toquem suas obras. ‘‘O governo tem de resolver os problemas do Orçamento, se quiser concluir essa reforma’’, avaliou o deputado Roberto Brant (PSDB-MG), lembrando que a insatisfação está distribuída em todos os partidos da base governista. (AE)

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