A Câmara de Londrina deve votar, na terça-feira, o pedido de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) mesmo sem o relatório final da auditoria contábil que está sendo feita na Prefeitura no caso das possíveis irregularidades no treinamento da Guarda Municipal (GM), denunciadas na Casa pelo vereador afastado Joel Garcia (PDT) O atraso na conclusão do documento, no entanto, não vai impedir que o protocolo de abertura da CEI entre em votação na Câmara, segundo o presidente José Roque Neto (PTB)
O pedido de abertura da comissão foi protocolado na sessão da última quinta-feira A FOLHA teve acesso aos documentos que os vereadores estão analisando para decidirem a abertura da CEI Nas mais de 600 páginas constam: a denúncia de Joel Garcia, a defesa prévia do prefeito Barbosa Neto (PDT), provas da defesa e a análise e recomendação jurídica da Procuradoria da Câmara quanto ao caso
Um dos pontos principais da denúncia diz respeito à empresa Delmondes & Dias LTDA ter recebido R$ 303 mil por um treinamento que foi feito, segundo Garcia, pela Polícia Militar Na defesa prévia, é mencionado que ''o pagamento dos instrutores civis e militares foi realizado pela empresa Delmondes, vencedora do certame licitatório'' A defesa ainda explica que a formação da Guarda Municipal por integrantes das polícias civil, militar e federal é uma imposição do Estatuto do Desarmamento e condicionante legal para futura concessão de autorização para uso de arma de fogo pela GM ''Todavia, isso não quer dizer que policiais, academias e polícias civis estão obrigadas a disponibilizar treinamento e formação gratuita da Guarda, como quer fazer crer a denúncia ''
A procuradora jurídica da Câmara, Michele Cristina Bazo, analisou as provas da defesa e assuntos apontados na denúncia como infração político-administrativa, e observou que ''embora a defesa seja consistente, subsistem dúvidas em certas questões''
Por exemplo, Joel Garcia relata que a GM deveria ter feito 66 horas de aulas práticas de tiro, previstas inicialmente, mas que os secretários Benjamin Zanlorenzi (Defesa Social) e Marco Cito (Gestão Pública) retiraram a disciplina da grade curricular por conta de falta de armas e munição para os alunos Para a procuradora da Câmara, esse fato caracteriza, em tese, uma infração Além disso, ''a defesa não apresentou elementos suficientes para afastar todas as acusações, por isso não há para concluir no momento que é inexistente a infração político-administrativa'' Por fim, ela recomenda que a Casa abra uma CEI ou aguarde o final da auditoria para elucidação dos fatos
A Mesa Executiva decidiu, portanto, no último dia 16, fazer o pedido de abertuda da CEI, que será votada na próxima terça-feira É necessário um mínimo de 10 votos para que a CEI seja criada

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