Enquanto a maioria dos servidores públicos de Foz do Iguaçu está recebendo o salário parcelado, alguns funcionários de confiança são promovidos para ganhar R$ 2.840 para trabalhar somente nos dois meses que restam da atual administração. Ontem, a prefeitura pagou apenas R$ 300 para cada servidor, deixando o restante para a próxima quinta-feira. O acordo para receber a remuneração em partes foi definido na última sexta-feira.
Os funcionários filiados ao Sindisaúde conseguiram receber o valor integral, depois de ameaçarem entrar em greve ontem, caso não recebessem os salários até às 16 horas. ‘‘Nosso acordo era que, dentro de 72 horas, o dinheiro fosse pago na íntegra. Vamos iniciar agora a briga pelo 13º salário’’, comentou Antonio Marcos Gomes de Oliveira, presidente do sindicato da categoria em Foz, responsável por 300 funcionários.
A diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi), Cacilda Tavares, também prevê dificuldades a partir de dezembro, mas espera solucionar um problema de cada vez. ‘‘Não queremos nem sofrer por antecedência. Vamos tentar receber primeiro o salário de outubro’’, comentou Cacilda, destacando ainda que alguns funcionários teriam sido beneficiados com exonerações e recontratações ocorridas no dia primeiro deste mês. ‘‘A contratada que brigou comigo durante a última greve (realizada entre 16 e 19 de outubro), por exemplo, passou a ganhar o dobro.’’
A diretora do Sismufi se referiu a Marizabete Fernandes Camacho, exonerada do cargo de assistente, cujo salário era de R$ 680, para ganhar R$ 1.470 como assessora durante os próximos 60 dias. A Folha confirmou a mudanças ocorridas na administração pública por meio do Órgão Oficial do Município, edição nº 184, onde apresentava também a exoneração (página 37) e readmissão (página 38) de Erivelto Martins, candidato a vice juntamente com Daijó na última tentativa de reeleição para prefeito. Até o dia 31 de outubro, Martins trabalhava como assessor ganhando R$ R$ 1,4 mil. No dia seguinte, foi nomeado diretor do Departamento de Iluminação Pública, cuja remuneração é de R$ 2,8 mil. O departamento pessoal da prefeitura informou que ele recebeu todos os benefícios previstos na recisão do contrato.
Para o prefeito, as mudanças são normais, legais e representam um chance para aqueles que participaram ativamente da administração. ‘‘Muitos trabalharam praticamente os quatro anos. É compreensível que seja dada uma oportunidade a estes funcionários’’, comentou Daijó, destacando que na recisão de dezembro, os servidores promovidos ganhariam somente o referente aos dois meses de trabalho.
Segundo Cacilda Tavares, a recontratação do pessoal piora ainda mais a imagem da administração pública na cidade. ‘‘Nós pedimos na última reunião para que dessem férias a estes funcionários no lugar de novos cargos, mas os secretários recusaram a solicitação. Qualquer um fica revoltado com uma situação dessa’’, criticou a diretora do sindicato.

mockup