Atração existe, mas é pequena, diz cientista
O noticiário pesado, mostrando seguidos desvios de recursos públicos e a corrupção em todas as esferas do poder acabam atraindo a atenção do jovem, mas não ao ponto deste contingente ter uma participação efetiva nas decisões democráticas. A análise é da cientista política e colunista da Folha Maria Lucia Victor Barbosa, autora do livro O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto, além de outras quatro publicações do gênero.
Houve um declínio ideológico do jovem, que é mais conservador e tem como valores marcantes a família, o emprego e a estabilidade, afirma Maria Lúcia. A cientista política concorda, no entanto, que houve um aumento do interesse do jovem por temas políticos, porém se trata de uma expansão pequena, que não envolve a grande maioria da faixa dos adolescentes entre 16 e 18 anos.
Além do fato da imprensa estar noticiando diariamente denúncias contra personalidades políticas, a reflexão sobre os problemas brasileiros, em virtude do aniversário de 500 anos, também acabou colaborando para despertar o interesse do jovem.
De acordo com Maria Lúcia, o comportamento apático do jovem é um fenômeno mundial. Ao contrário do que ocorre hoje, a juventude dos anos 60 e 70 queria se libertar de valores rígidos, afirma ela. Hoje ocorre o que ela define como Revolução Tecnotrônica, que representa toda a modificação do comportamento da sociedade motivada pela influência da globalização e de um mundo onde a informação é extremamente rápida. Estes fatores, explica Maria Lúcia, justificam o comportamento do jovem. O momento agora é de equilíbrio, por isso também o jovem está mais convervador.
Por outro lado, ela afirma que a cada eleição a população avança, estabelece critérios e se moderniza, enquanto o político brasileiro não acompanha esta evolução. De modo geral o político está defasado, atesta Maria Lúcia. Para ela, as notícias de denúncias deverão influenciar e muito o debate das eleições de outubro. As acusações serão recíprocas; sem dúvida teremos eleições com clima bastante pesado, analisa.
Nas classes mais altas, prevê Maria Lúcia, a cobrança será por propostas moralizantes, com discurso centrado na ética. Este eleitor, que é formador de opinião, acabará influenciando outros. (P.L.)





