Atores sociais vulneráveis
A característica mais marcante da sociedade atual é a velocidade e a intensidade que perpassam a vida privada e a vida pública. Nestas circunstâncias, emerge um dos aspectos mais inquietantes desta nova realidade, a diminuição do poder de previsão dos indivíduos sobre os destinos da sociedade e as ações dos sujeitos.
É fácil imaginar que neste cenário, em que o projeto de vida deve sofrer adaptações constantes a circunstâncias amplamente cambiantes, os jovens se tornam atores sociais dos mais sensíveis e vulneráveis. Mas as dificuldades dos jovens não se resumem ao projeto de um mundo cambiante, pois eles também se defrontam com aqueles problemas que estão instalados na atualidade. São enormes os obstáculos que se antepõem à sua inserção na sociedade, fenômeno já amplamente reconhecido como a problemática da exclusão juvenil.
A dificuldade de acesso ao trabalho dos jovens se agrava nos grupos de menor escolaridade e se transforma, na maior parte dos casos, em uma exclusão estendida, dado que sem emprego não se tem rendimento próprios nem condições de vivenciar a própria juventude, o que impede que se desenvolva a necessária motivação para elaborar projetos de futuro.
O Brasil ingressará no próximo século com a maior população juvenil de sua história demográfica. Isso ocorre porque vivemos uma espécie de ‘‘onda’’ jovem resultante de um período específico de alta fecundidade no início dos anos 80. No Brasil, 68% da população carcerária tem menos de 30 anos de idade.
Na questão educacional, o Brasil ocupa um dos últimos lugares no ranking do World Competitiveness Report, só perdendo para países da África. Quanto ao mercado de trabalho, a situação dos jovens é duplamente preocupante, já que eles foram os mais atingidos pelos postos de trabalho, num momento em que se enfrenta uma condição demográfica desfavorável.
São três os maiores desafios da sociedade brasileira em relação à sua juventude:
Políticas públicas de juventudeA maioria dos problemas que afetam o jovem brasileiro não são exclusivos do Brasil, mas o País se torna hospedeiro preferido destes problemas, o que faz as políticas públicas de juventude se tornarem instrumento fundamental para que haja aproximação entre a juventude o poder público brasileiro.
EducaçãoA necessidade de investimentos governamentais assim como a participação ativa da sociedade são fatores de extrema importância. A sociedade de hoje critica (com razão) e exige do governo políticas concretas para a educação, porém, quem faz com que o governo realmente cumpra o seu papel somos nós, sociedade, e é nosso dever exigir também direito de participação na elaboração de políticas públicas de educação.
Emprego e trabalhoSão vários os desafios que se colocam para os diferentes atores sociais. Para os empresários, o requerimento é que sejam dinâmicos, dispostos a assumir projetos ambiciosos e inovadores, superando as velhas práticas protecionistas e clientelísticas com as quais atuaram durante décadas. Para os sindicatos, acostumados com negociações de natureza macro e assumindo o papel de ator político central, o dilema que se coloca agora está entre a adoção de um modelo puramente contestador e opositor às transformações em curso e o ensaio de novas práticas de estilo de sindicalismo de ‘‘serviços’’, que já vem acontecendo em diferentes países.
- GUSTAVO CASTRO, Londrina

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