Ato lembra 20 anos da Anistia
Dimitri do Valle
De Curitiba
Um ato público a partir das 10 horas de hoje na Boca Maldita, no centro de Curitiba, marcará a passagem de aniversário dos 20 anos da assinatura da Lei da Anistia. O evento, organizado pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba e o Fórum Paranaense de Diretos Humanos e Cidadania, também prestará uma homenagem ao escritor e poeta Paulo Leminski. O artista morreu há 10 anos, e era um dos perseguidos pela ditadura militar pelas idéias que defendia contra o regime.
Os bancários aproveitam o sábado também para comemorar na Boca Maldita o dia dedicado à categoria. A programação para lembrar a Lei da Anistia inclui a apresentação do grupo musical Ventosur que semanalmente exibe seu trabalho nas praças de Curitiba. O grupo é formado por músicos chilenos especializados em melodias executadas pelos povos andinos. Um folheto será distribuído, denunciando que práticas de tortura no regime militar ainda fazem parte do método de investigação do atual aparelho policial.
As recentes desocupações de fazendas na região Noroeste do Estado também serão tema do ato público de hoje na Boca Maldita. Os bancários prestarão solidariedade aos sem-terra agredidos pela PM durante as ações de despejo. A anistia só será ampla, geral e irrestrita quando conseguirmos acabar com o aparato policial montado durante a ditadura e que continua atuando até hoje. A tortura, por exemplo, ainda é usada nas delegacias de polícia, como método de investigação, contra as camadas mais pobres da população, diz uma parte do texto que será distribuído com o título A luta pela Anistia continua.
A Lei de Anistia foi assinada no dia 28 de agosto de 1979 pelo então presidente general João Baptista Figueiredo. Cerca de 5 mil exilados receberam autorização para regressar ao Brasil, presos políticos foram libertados e militantes puderam sair da clandestinidade. A lei beneficiou ainda policiais e militares que torturaram e assassinaram os opositores do regime militar.





