Ato em frente ao STF tem 'quadrilha' de réus
Brasília - Representantes de diversas entidades anti-corrupção se manifestaram ontem em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, dançando uma quadrilha tradicional. A escolha da dança ocorreu em alusão ao crime de formação de quadrilha, pelo qual a maioria dos réus do processo é acusada.
Os integrantes usavam máscaras de alguns dos acusados, como o ex-ministro José Dirceu, os publicitários Marcos Valério e Duda Mendonça, além do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP). Os manifestantes também estenderam uma faixa, onde se lia ''Acorda para votar, STF''. ''Queríamos tirar os ministros desse cochilo, eles já tiveram muito tempo para dormir'', afirmou o bancário Rodrigo Montezuma, um dos organizadores do protesto.
Entre as entidades participantes estão o movimento 31 de Julho, Adote um Distrital, Congresso em Foco, Contas Abertas, IFC (Instituto de Fiscalização e Controle) e Mensalômetro. Durante a manifestação, que durou cerca de 40 minutos, foi encenado o ''casamento da impunidade com a Justiça''. ''Queremos mostrar que desse casamento pode nascer a corrupção, se o povo deixar, mas também a ética e a moral'', afirmou Montezuma.
As entidades participantes afirmam que veem o julgamento do mensalão como ''um teste para a democracia brasileira''. Elas pedem que o veredito ''seja não só o ponto final deste processo, mas também o ponto de partida para uma justiça democrática e republicana no Brasil''.
'Ativistas de sofá'
Apesar da intensa mobilização via internet, poucos manifestantes - cerca de 40, se contados os integrantes da quadrilha - foram à frente do Supremo. ''O ativista de sofá é fervoroso, se considera ético, critica as iniciativas alheias, condena as atitudes dos outros, mas na hora de pintar a faixa, perder final de semana e pedir abono no trabalho, menos de 10% efetivamente participa'', criticou Montezuma, que afirmou ter pedido ele próprio abono para estar no protesto.
A professora aposentada Mercês Rocha, 65, foi uma das poucas a atender à convocação das entidades. Segurando um cartaz onde se lia ''Cadê o Lula?'', a aposentada cobrou a presença do ex-presidente no processo: ''O mensalão não tem mãe, mas tem pai''.
Ela, que disse estar esperando que ''saia coisa boa'' do julgamento, afirmou acompanhá-lo todos os dias via TV Justiça. E elegeu seu ministro preferido: ''Ah, o Joaquim Barbosa é dez, né? Ele vale por dez!''. (Folhapress)





