'Ato é morte política'
Para o sociólogo londrinense Cézar Bueno, a renúncia de Henrique Barros (PMDB) em pleno ano eleitoral representa um ganho pessoal ao ex-agente político - uma vez que interrompe um processo de ''sangria'' iniciado com a prisão em flagrante -, mas ''a morte política anunciada'' do candidato à reeleição. Com a medida, Barros assegura os direitos políticos que poderiam ficar suspensos se fosse cassado em Plenário.
O sociólogo vê duas interpretações distintas para a forma como a renúncia possa ser encarada pela sociedade. ''Ou as pessoas vêem isso como um ato de oportunismo corporativo, pois aparentemente elimina-se o núcleo da crise - ou seja, pode-se pensar que 'o problema não estava na Câmara, mas com um' -, ou como início de um processo efetivo de investigação dos demais vereadores'', afirmou Bueno, referindo-se ao fato de os vereadores Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB) ainda serem alvo de apuração por parte da Comissão de Ética da Casa. Junto com Barros, os quatro foram denunciados pelo Ministério Público (MP), no último dia 16, por crimes de concussão e formação de quadrilha.
Enquanto Barros era o centro de uma denúncia apresentada por um eleitor, ao Legislativo, os demais figuram em uma representação, também de autoria de cidadão comum, que deve levar pelo menos dois meses para ser investigada pela Comissão de Ética. Caso o relator, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), avalie que não há provas suficientes para indicar que eles quebraram o decoro parlamentar, sequer a Mesa Executiva recebe denúncia que vingue a Comissão Processante (CP).
''O mínimo que a Comissão de Ética pode fazer é trabalhar a contento e continuar o processo de investigação com os demais, porque ainda paira suspeição sob a Câmara'', defendeu o sociólogo, que completa: ''Não esqueçamos que foi uma autoridade (Barros) que acusou os demais; a Câmara não pode conviver com esse grau de suspeição. Ou ela investiga os outros e tem a autoridade moral reconhecida, e com isso ganha prestígio, ou terá a imagem maculada''. Como a sociedade reagirá, na eleição? ''A população sabe reagir: não votaria em políticos que se comportassem como Henrique'', acredita. (J.G.)





