São Paulo - O PT não é o primeiro, nem o único partido no poder a valer-se de tais recursos. Como lembra a cientista política Luciana Veiga, pesquisadora do Doxa/Iuperj e professora da Universidade Federal do Paraná, já na Grécia clássica Aristóteles abordou a relação entre palavras e poder, em sua ''Arte da Retórica''. A esquerda desde sempre diferenciou ''roubo'', que é praticado pela burguesia corrupta, de ''expropriação'', ato revolucionário do poder operário. Nos anos 40 George Orwell antecipou, em 1984, a novilíngua, a linguagem do poder do futuro. Em nome do poder, verdade podia tornar-se mentira, sempre era nunca e submissão era o verdadeiro nome da liberdade. Lenin também escreveu que ''uma mentira é muitas vezes justificada pelo fim''.
Delúbio atualizou a obra ao discordar da idéia de obrigar um partido a prestar contas à sociedade. ''Transparência assim é burrice'', ensinou o professor goiano.
A estratégia que se adota, observa Luciana Veiga, é ''obscurecer qualquer associação desse ato (o roubo) com uma atitude premeditada''. É tudo sempre casual, uma brevíssima falha corrigida com imediata volta aos trilhos. Por isso, diz a professora, Palocci ''admite ter viajado de avião, mas argumenta que não sabia que ele estava sendo emprestado ao partido''. Se não sabia, não cometeu crime. Argumento semelhante ao apresentado pelo presidente Lula, que por duas vezes declarou-se ''traído'' quando veio à luz o mensalão e quando soube da violação de sigilo do caseiro. ''O que está por trás desse discurso'', observa Luciana, ''é mostrar que ações do partido devem ser julgadas no máximo como erros ou deslizes. Atos desprovidos de má-fé, nunca delitos procedentes da perversidade.'' (G.M.F./AE)

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