Ato contra prefeito reúne 2 mil
Vânia Moreira
De Umuarama
Cerca de 2 mil pessoas participaram ontem de manhã em Pérola (46 quilômetros a sudoeste de Umuarama) de um protesto contra o retorno do prefeito Valdeci Cândido da Silva (PFL) ao cargo. Ele está afastado desde o dia 2 de setembro por denúncias de desvio de dinheiro público. O prefeito foi afastado primeiro pelo juiz Frederico Mendes Júnior que acatou pedido de liminar numa ação civil pública movida pelo promotor Rudy Rigo Burkle. Há 15 dias, a Câmara também decidiu tirar o prefeito do cargo por outras irregularidades. Silva conseguiu derrubar a liminar judicial no Tribunal de Justiça e ingressou com um mandado de segurança no Fórum de Pérola para tentar anular também o afastamento imposto pela Câmara, mas anteontem à tarde, o juiz Rui Alves Henrique Filho negou a liminar.
A manifestação reuniu empresários, agricultores, servidores públicos, professores e estudantes. O comércio fechou as portas até o meio-dia. Os manifestantes fizeram uma passeata e uma carreata na avenida principal e se concentraram em frente ao Fórum. Segundo um dos líderes do protesto, o vereador Wilson Stefani (PMDB), a maioria da população não quer o prefeito de volta. Segundo Stefani, os manifestantes estavam dispostos a impedir o prefeito de entrar na prefeitura, se ele tivesse conseguido a liminar anulando a decisão da Câmara. O deputado estadual Nelson Garcia (PFL) também foi criticado nas faixas e cartazes por ter mantido apoio ao prefeito afastado.
Segundo a Promotoria, Silva responde a uma ação civil pública pelo possível desvio de mais de R$ 100 mil repassados pela Secretaria da Agricultura para compra de calcário para pequenos produtores. Dezoito pessoas estariam envolvidas na fraude. Depois de afastar o prefeito, o Ministério Público fez uma devassa nas contas do município. Outros 20 inquéritos envolvendo emissão de notas fiscais falsas, fraudes em licitações e desvio de dinheiro também já foram instaurados pela promotoria.
Na Câmara, os vereadores investigam o desvio de R$ 90 mil repassados pelo governo para construção da Casa da Cultura e o uso de declarações falsas atribuindo ao prefeito e a alguns secretários, salários irreais para obter empréstimos bancários. Valdecir Cândido da Silva não se defende das acusações. Em depoimento ao promotor, reservou-se ao direito de só falar em juízo.
O advogado de Silva em Curitiba, Carmino Donato Júnior, disse que vai entrar hoje com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça (TJ) contra a decisão do juiz. Na quarta-feira, o prefeito volta a Perola para reassumir o cargo, aposta. De acordo com Donato, o juiz negou a liminar alegando que não haveria prejuízos para o prefeito permanecer afastado durante 90 dias.





