Ato contra ACM reúne 20 mil na Bahia
Na maior manifestação de protesto na Bahia desde o Fora Collor, em agosto de 1992, pelo menos 20 mil estudantes, sindicalistas e políticos voltaram às ruas ontem em Salvador (BA) para pedir a cassação do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), acusado de fraudar o painel eletrônico do Senado. O protesto foi pacífico a PM recuou e permitiu que a manifestação fosse realizada em frente ao prédio onde mora ACM, na Graça (centro da capital).
Na semana passada e anteontem, a PM utilizou bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para impedir o protesto em frente ao edifício Stella Maris no qual ACM mora na cobertura. O recuo da PM foi determinado pela Secretaria da Segurança Pública depois que dois procuradores da República na Bahia telefonaram para o Ministério da Justiça e informaram que o clima era tenso em Salvador.
Os manifestantes, que estavam concentrados em quatro unidades da Universidade Federal da Bahia (UFBa), não encontraram nenhuma dificuldade para chegar ao Edifício Stella Maris. Em frente ao prédio onde mora, o senador ACM foi chamado de ladrão e corrupto por cerca de 10 mil manifestantes.
Queremos ver o ACM na cadeia junto com o Lalau (o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto), gritaram os manifestantes. Em seguida, os estudantes lavaram o passeio do prédio do senador. Simbolicamente, estamos lavando toda a lama que o ACM carrega em quase 50 anos de vida pública, disse o estudante secundarista Tiago Mascarenhas, de 17 anos.
Depois do protesto, os manifestantes resolveram seguir em passeata até a praça Municipal, onde fica a Prefeitura de Salvador. Antes, os manifestantes passaram pela reitoria da UFBa para protestar contra a invasão realizada pela Polícia Militar em cinco unidades da instituição, anteontem à tarde. No confronto, quatro manifestantes foram presos e outros 30 ficaram feridos.
Quando os manifestantes estavam na UFBa, chegou o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Ele foi fortemente vaiado e recebidos com gritos: CPI já, vamos cassar também o senador Jader Barbalho. Constrangido, Geddel voltou a seu carro e deixou o local.
Na praça Municipal, os manifestantes voltaram a pedir as cassações de ACM e dos senadores José Roberto Arruda (sem partido-DF) e Jader Barbalho (PMDB-PA), bem como a instalação da CPI da corrupção. Há uma nova manifestação marcada para a próxima quarta-feira, para quando está marcada a votação, pela Comissão de Ética do Senado, do relatório do senador Saturnino Braga (PSB-RJ).





