Ato a favor da democracia reúne milhares em Curitiba
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sexta-feira, 13 de março de 2015
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Milhares de manifestantes ligados às centrais sindicais e a movimentos sociais e estudantis saíram às ruas ontem em Curitiba para defender a Petrobras, a democracia, a reforma política, com a convocação de uma assembleia constituinte exclusiva, a democratização dos meios de comunicação e a garantia de direitos trabalhistas. O ato, que se repetiu nas outras 26 capitais do País, foi uma espécie de contraponto ao que se espera dos protestos de amanhã, cujo principal mote é o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo a Polícia Militar (PM), 800 manifestantes estiveram na marcha. Os organizadores, porém, falaram em mais de cinco mil.
Os participantes se concentraram por volta de 17 horas na Praça Santos Andrade (centro), de onde partiram, já no início da noite, em direção à Boca Maldita. O evento foi planejado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), com o apoio de movimentos sociais, estudantis e sindicais, como o MST (dos Sem-Terra), o MAB (dos Atingidos por Barragens) e os Sindicatos dos Petroleiros (Sindipetro), dos Bancários e dos Professores (APP-Sindicato). "Não me enganam mais; o que eles querem é vender a Petrobras" e "não vai ter golpe" foram alguns dos gritos entoados do carro de som.
Em meio à multidão, era possível observar pessoas com bandeiras do PT, algumas delas utilizadas durante a campanha eleitoral de 2014. O secretário de Comunicação da CUT no Paraná, Daniel Mittelbach, porém, garantiu que a caminhada não era em defesa do governo federal, e sim dos trabalhadores. Um dos exemplos citados por ele foi que a pauta incluía uma crítica às Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que endurecem as regras para obtenção de seguro-desemprego e a concessão de benefícios previdenciários. Para Mittelbach, todas as pessoas têm o direito de se expressar. No entanto, é preciso "respeitar o resultado das urnas". "Não aceitamos que movimentos golpistas tentem subverter a ordem e o Estado Democrático de Direito."
O presidente do Sindipetro do Paraná e de Santa Catarina, Mário Dal Zot, voltou a dizer que as notícias negativas da Petrobras, por conta das investigações da operação Lava Jato, vêm escondendo os feitos da companhia. "Existe uma parte boa, que nos dá orgulho. A empresa bate recordes sucessivos. Recentemente, se tornou a maior produtora de petróleo entre as de capital aberto no mundo. E isso não é noticiado", lamentou. Ele reiterou que apoia a apuração das denúncias de corrupção, entretanto, falou que a questão não pode ser utilizada como argumento para a privatização da empresa.
Integrante da Marcha Mundial das Mulheres e da "Campanha por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político", Cibele Santos Oliveira lembrou que, em 2014, oito milhões de pessoas votaram no plebiscito popular, sendo que 97% delas se mostraram favoráveis à constituinte exclusiva. "A população quer a reforma política, como quer a reforma tributária e a reforma agrária", afirmou. Os participantes do ato começaram a deixar a Boca Maldita perto das 20 horas. Até o fechamento desta edição, não houve registro de confusão.


