Atlético devolve R$ 70 mil a Maringá
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
A diretoria do Clube Atlético Paranaense devolveu ontem para a Prefeitura de Maringá exatos R$ 70.009,92, do esquema de corrupção promovido pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. O dinheiro foi depositado na conta do clube no ano passado pelo empresário e doleiro Alberto Youssef, preso há duas semanas, acusado de lavar dinheiro da Prefeitura de Londrina.
O promotor José Aparecido Cruz considerou o fato inédito. O valor devolvido ontem pelo presidente do Atlético, Marcos Aurélio Coelho, foi corrigido pela própria promotoria a pedido do clube. Coelho entregou o cheque ao prefeito em exercício João Jonh Alves Corrêa (PMDB), que pretende usar o dinheiro para pagamento de funcionários.
Segundo o advogado do Atlético, Juliano Breda, o valor original era de R$ 56.100,00 e havia sido depositado na conta do clube em 6 de junho de 1999. Ele contou que o Atlético só ficou sabendo que o cheque era da prefeitura quando o clube foi notificado pelo MP. Nunca fizemos nenhum tipo de negócio com a prefeitura e o próprio Youssef declarou ao MP que o Atlético não tinha envolvimento, ressaltou.
Breda afirmou que os R$ 56 mil foram referentes a uma transação feita no ano passado, entre o clube e a empresa de factoring do doleiro. O Atlético, conforme o advogado, precisou levantar dinheiro rápido para finalizar a construção do estádio e procurou Youssef para trocar duplicatas. A transação, considerada pelo advogado como normal e lícita, foi feita com uma das duplicatas da venda para o São Paulo do zagueiro atleticano Wilson. A nossa devolução é um ato de respeito à população de Maringá e espero que seja um impulso àquelas pessoas que se viram, como o Atlético, envolvidas indevidamente com a corrupção no poder público, declarou o presidente do Atlético.
Segundo o promotor, não houve dolo ou culpa para o Atlético no depósito e, por isso, o clube está isento de responsabilidades na ação de improbidade movida pelo MP contra Paolicchi e o prefeito afastado de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido). Cruz afirmou, porém, que a devolução de dinheiro não representa, a princípio, nenhum tipo de isenção, porque o MP vai aprofundar as investigações. O valor devolvido é no mar dos desvios da prefeitura de Maringá como uma gota, mas tem um importante significado, avalia.
Conforme o promotor, as transações entre Paolicchi e Youssef já ultrapassam R$ 3 milhões. Ele disse também que os valores atuais investigados pelo MP em toda a ação de improbidade deixa muito longe os R$ 3,1 milhões iniciais.
Além de responder por improbidade na Justiça comum, Paolicchi é acusado na Justiça Federal de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato. O ex-secretário está preso desde o dia 7. Uma auditoria do Tribunal de Contas verificou até agora rombo de mais de R$ 36 milhões da prefeitura. Mas os desvios podem chegar a R$ 100 milhões.
Ontem havia a expectativa do Tribunal de Justiça julgar o mérito de um pedido de habeas-corpus em favor de Youssef, mas o recurso continua tramitando.


