Curitiba Quando o horizonte se mostra desesperançoso para criação de novos partidos, a garra característica dos atletas vira aliado de quem arrisca nadar contra a maré. Não à toa, o Partido do Esporte (PE), que possui apenas registro provisório no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), busca junto aos esportistas e simpatizantes conquistar o referendo popular, ou seja, coletar as 420 mil assinaturas necessárias o que equivale 0,5% do eleitorado do País para fazer o registro oficial da agremiação política.
Para conquistar representatividade, a aposta está no potencial do esporte como instrumento de inclusão e mudança social e na credibilidade de estrelas do segmento. De acordo com a executiva nacional, o time pouco modesto de atletas que apóiam a fundação do partido traz Éder Jofre, o maior pugilista brasileiro dos últimos tempos; Joaquim Cruz, Robson Caetano, Aurélio Miguel, Lars Grael e Marcel (seleção de basquete), atual vice-presidente da futura agremiação. ''Até agora só temos 50 mil assinaturas e temos dificuldades em levantar recursos junto ao setor privado, que após os escândalos de corrupção, está desestimulado com a política'', aponta Ariovaldo Reis dos Santos, de São Paulo, diretor da executiva nacional.
De acordo com ele, é pertinente criar um partido ao invés de uma entidade, porque os esportistas não têm representatividade política, apenas são solicitados por alguns partidos nas eleições para angariar votos e depois são descartados. ''O esporte no Brasil é amador e queremos que se torne referência, que toda população tenha acesso às práticas esportivas. Lutamos para que seja criada uma política pública voltada para o esporte, o que vai qualificar a saúde e reduzir os índices de violência'', justifica o diretor. Ele aponta que países como Alemanha e Japão possuem partidos do esporte.
Para um partido participar de uma eleição é preciso, um ano antes, obter todas as condições definidas junto ao TSE, o que não será possível ao PE. Para participar de alguma forma do processo eleitoral, deste ano, a direção está estudando um acordo com o PPS ou PSDB. O futuro partido possui base política em 16 estados, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia.
Criado também para defender originalmente os interesses de uma parcela da população 23 milhões de aposentados e pensionistas , o Partido dos Aposentados da Nação (PAN) parece não se incomodar tanto com a Cláusula de Barreira. Afinal, já não participa do Fundo Partidário, dos programas eleitorais e das comissões e não tem representatividade na Câmara Federal. ''A executiva nacional deu liberdade aos estados para trabalhar, cada um, da melhor forma possível em busca dessa meta'', disse o presidente estadual do PAN, César Tavares, de 42 anos.
No Paraná, o PAN tem base política fortalecida em 160 municípios, além de pré-candidatos a deputado federal (Lindolfo Jr., de Maringá) e estadual (Silvana da Silva, de Borrazópolis) preparados para vencer as eleições, segundo Tavares. ''Se não atingirmos a cláusula, não vamos deixar de existir. Vamos vingar enquanto partido e continuar a respeitar nossos adversários, sem fazer oposição sistemática. Também estamos sondando com o PPS uma possível coligação aqui no Estado'', revela ele, que diz ter motivado a fundação do partido, em 1998, ''nas injustiças sociais praticadas contra o idoso, que passou a vida contribuindo para o desenvolvimento e conservação da pátria.'' (F.G.)

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