Brasília - O italiano Cesare Battisti encaminhou ontem carta aos senadores alegando ser inocente dos crimes a que responde na Itália, que teriam sido cometidos durante a ditadura do país. Por intermédio do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que o visitou na penitenciária ontem de manhã, Battisti se colocou à disposição do Senado para comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com o objetivo de apresentar sua versão dos fatos.
Na carta, o italiano afirma que não cometeu nenhum homicídio na Itália e não teve o direito de defesa em seu país. ''Quero lhes assegurar que nunca provoquei ferimentos ou a morte de qualquer ser humano. Até agora, nunca qualquer autoridade policial ou qualquer juiz me perguntou se eu cometi um assassinato'', afirma.
O italiano disse aos senadores que tem se dedicado a atividades de ''solidariedade'' a pessoas carentes e a escrever livros -o que demonstra que não tem perfil de criminoso.
''Sempre enfatizo que o uso da violência compromete os propósitos maiores que precisamos atingir. Desejo colaborar com a construção de uma sociedade justa, no Brasil, por meios pacíficos, durante o resto da minha vida.''
Além de Suplicy, uma delegação de três parlamentares também visitou o ativista italiano no presídio da Papuda, onde Battisti está preso.
Segundo relato dos parlamentares, o italiano está bem de saúde, mas continua ansioso pela sua libertação - depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou o pedido de sua extradição à Itália.
Ex-integrante da organização radical do Proletários Armados para o Comunismo (PAC), ele foi condenado por quatro homicídios na Itália, nos anos de chumbo, e está preso no Brasil desde 2007.
Em 31 de dezembro, no último dia de seu governo, Lula anunciou que ele não seria extraditado e ficaria no Brasil como ''imigrante''. A decisão pode ser revista pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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