Agência Estado e Redação
O governador Jaime Lerner classificou de ‘‘infantil’’ a decisão do governo de São Paulo de recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra acordos que prevêem a concessão de incentivos fiscais. Antes da entrevista a jornalistas no discurso de transmissão do cargo de presidente do Conselho de Desenvolvimento Integrado do Sul (Codesul) para o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), Lerner disse estar fazendo um ‘‘desabafo’’ pela ‘‘imensa carga’’ que vem sofrendo, mas sem citar nominalmente o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). Lerner afirmou que a crítica era destinada ‘‘às forças retrógradas que insistem em manter um processo de desenvolvimento que já está superado no País’’.
As críticas ao governo paulista foram feitas em Florianópolis, durante reunião anual do Codesul, com a presença dos governadores do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB), e do Mato Grosso do Sul, Wilson Barbosa Martins (PMDB).
Na opinião do governador do Paraná, as indústrias têm se instalado nos estados, proporcionando uma desconcentração do parque Industrial, ‘‘graças à competição, onde cada Estado faz valer a sua criatividade e sua posição estratégica em relação a determinado tipo de indústria’’. ‘‘A tentativa de tirar essa liberdade dos estados, tentar querer que os estados não defendam seus interesses e os da população, é uma tentativa infantil.
Lerner lembrou que, há quatro anos, o Paraná era dependente economicamente da agricultura, vivendo em eterno movimento pendular, conforme o resultado de suas safras. Novas alternativas foram necessárias, mas ‘‘forças internas do Paraná, com eco e outros interessados, querem impedir’’.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social do Paraná, Lerner recebeu manifestações de apoio dos governadores do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, ao falar sobre a posição do governo de São Paulo contra a politica de industrialização do Paraná.
Lerner, segundo a secretaria, foi elogiado pelo governador do Rio Grande do Sul, Antonio Brito (PMDB), que disse que ‘‘parece que é o destino do Rio Grande do Sul ouvir e seguir o Paranᒒ. Ele também concordou com Lerner que não é mais possível congelar a situação de um país, eliminando a concorrência como alguns Estados querem.
Também os governadores de Santa Catarina, Paulo Afonso, que assumiu a presidência do Codesul no lugar de Lerner, e o governador de Mato Grosso do Sul, Wilson Martins, destacaram a atuação do governo do Paraná. ‘‘O Mato Grosso do Sul está longe de alcançar o sucesso de seu Estado, mas nem por isso estamos contra’’, declarou Martins.
O secretário de Planejamento do Paraná, Miguel Salomão, disse que a consulta que o governo de São Paulo pretende fazer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o protocolo assinado pelo Paraná com a montadora francesa Renault ‘‘é sinal de fraqueza, de falta de razão e um equívoco’’. ‘‘Problemas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) têm um foro adequado, com raízes constitucionais, que é o Conselho de Política Fazendária (Confaz), afirmou. ‘‘Mas São Paulo sabe que se for ao Confaz, vai ver que está tudo correto.

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