Jerusalém – Um militante suicida palestino provocou ontem a explosão de um ônibus lotado de estudantes e trabalhadores em Jerusalém, matando pelo menos 19 pessoas e ferindo mais de 50, apesar do estado de alerta máximo decretado na cidade por temor a atentados. O ataque, um dos mais sangrentos contra civis israelenses, ocorreu na hora do rush, num ônibus que liga o assentamento judeu de Gilo, no sul de Jerusalém, e o terminal central de ônibus da cidade.
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, visitou ao local do ataque, onde prometeu combater ‘‘o terror palestino’’. Essa é a primeira vez que Sharon vai ao local de um atentado desde sua chegada ao poder, em março de 2001. ‘‘Essa coisa terrível que estamos vendo é a continuação do terror palestino, e devemos lutar contra este terror’’, disse Sharon aos jornalistas. Cercado por vários guarda-costas, ele percorreu a fileira de corpos e se aproximou dos destroços dos ônibus.
A responsabilidade pelo ataque foi assumida pela organização extremista islâmica Hamas. A organização identificou o suicida como Mohammed al-Ghul, 23 anos, do campo de refugiados de Al Faraa, no norte da Cisjordânia, entre Nablus e Jenin.
‘‘Eu estou certa de que havia crianças no ônibus. Eu vi o ônibus voando no ar. Estou muito preocupada’’, disse a professora Ruthy Almaliach, que testemunhou a explosão. Os corpos puderam ser vistos estirados no esqueleto do ônibus e no chão. As ambulâncias levaram os feridos às pressas para os hospitais da região enquanto especialistas da polícia verificavam a existência de mais bombas.
A explosão destruiu o ônibus pouco depois de os Estados Unidos e o líder palestino Yasser Arafat terem criticado os planos de Israel de construir uma cerca de segurança ao longo da vulnerável fronteira da Cisjordânia, por onde é possível entrar nas cidades israelenses.
A polícia de Jerusalém estava em estado de alerta, já que alguns relatórios da inteligência haviam apontado para um bombardeio suicida na área. É o primeiro atentado que ocorre na cidade desde 12 de abril.
Escalada – O ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo, condenou o ataque suicida, dizendo que esse atentado só daria mais motivos para Israel ‘‘escalar sua agressão’’ contra os palestinos. ‘‘A Autoridade Palestina condena o ataque’’, disse Abed Rabbo.
‘‘Os únicos a se beneficiarem dessa operação suicida são (o primeiro-ministro israelense Ariel) Sharon e a ocupação (dos territórios palestinos). Israel vai se valer desse atentado para escalar sua agressão contra a Autoridade Palestina’’.

mockup