Valéria de Oliveira
Agência Folha
De Brasília
Um atentado contra o ex-secretário das Finanças da Prefeitura de Rio Branco é a principal ligação entre Hildebrando Pascoal e José Aleksandro (PFL-AC). A avaliação é do relator da CPI do Narcotráfico, Moroni Torgan (PFL-CE). Segundo ele, o delegado titular do inquérito, Carlos Bayma, afirmou em depoimento que recebeu do sargento Alex Fernandes Barros, ‘‘braço direito de Hildebrando’’, um recado para que arquivasse o inquérito, porque ele (Pascoal) tinha interesse no arquivamento. Bayma arquivou o inquérito, que será reaberto.
Walter afirmou que Zé Alex que, na época do atentado, em 1997, era vereador de Rio Branco, foi um mandantes do crime. Os outros, segundo ele, foram os vereadores Amaraldo Pascoal, primo de Pascoal, e Arthur Miguéis, além do pai de Arthur, o ex-deputado estadual Ariosto Pires Miguéis.
O crime aconteceu no centro de Rio Branco. Campelo, então secretário, saiu da prefeitura e foi atacado a tiros por dois motoqueiros. Um deles era Alexandre Alves da Silva, o Nim, irmão de Zé Alex, segundo Campelo. O ex-secretário disse que era um empecilho ao repasse de recursos extra-orçamentários da prefeitura para a Câmara, da qual Zé Alex era ordenador de despesas.
Caso as denúncias contra o deputado Zé Alex resultem na sua cassação, a Câmara dos Deputados terá de apurar mais denúncias de irregularidades envolvendo suplentes do PFL do Acre. O primeiro suplente de Zé Alex é Clóvis Queiroz, que está sendo processado sob a acusação de improbidade administrativa na sua gestão como diretor-presidente da Eletroacre (Empresa de Eletricidade do Acre), no governo de Orleir Cameli (1994-1998). Queiroz é acusado de gastar R$ 1,08 milhão em publicidade sem fazer licitação.
A segunda suplente, a vereadora Lenice Barros, está sendo processada sob a acusação de participar de fraude no vestibular da Universidade Federal do Acre, em 1996. Ela é mulher do deputado Roberto Filho (PDT), que foi reformado pela PM como cego, apesar de enxergar normalmente.
Não se sabe de irregularidades com o terceiro suplente de Aleksandro, Antônio Aquino, e a quarta, Juliana Oliveira. O quinto é o ex-deputado Osmir Lima, que já apresentou um projeto na Câmara Federal propondo a devolução do Acre a Bolívia. Lima foi chefe do Gabinete Civil de Cameli e está sendo investigado por uma CPI estadual como cúmplice do ex-governador em suposto desvio de R$ 25 milhões.

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