O atendimento no setor de Saúde foi o mais prejudicado pela greve dos servidores municipais em Londrina. Ontem, hospitais públicos e particulares já sentiam o reflexo da falta de atendimento nos postos de saúde. Pela manhã, a Prefeitura divulgou que 22 das 52 unidades municipais estariam funcionando. A Folha verificou que em boa parte desses locais o atendimento era quase zero.
Nas cinco maiores unidades de saúde foram mantidos 30% dos funcionários, conforme acordo feito entre o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), a Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério Público (MP). Os grevistas se revezaram nas entradas destas unidades de saúde para impedir que casos não considerados urgentes fossem atendidos. A maioria dos pacientes teve que voltar para casa.
Ao abordar dois grevistas na porta do PAM, a repórter da Folha foi confundida com uma paciente e recebeu a informação de que a unidade estava fechada. Só depois de se identificar, é que os servidores informaram que havia funcionários para atender casos mais sérios. A gerente geral do PAM e do PAI, Vera Lúcia Roncaratti, disse haver pedido aos grevistas que chamassem os assistentes de saúde cada vez que um paciente chegasse, mas que a recomendação nem sempre estava sendo seguida. ''O que parece um problema banal para eles, para nós pode representar uma emergência.''
O mesmo dilema ocorreu na Unidade 24 horas do Jardim Leonor (Zona Oeste), que também manteve 30% dos funcionários. O pedreiro Osvaldo Maurício, 46, chegou com fortes dores nas costas e sequer foi examinado. ''Ouvi pelo rádio que esse posto estava funcionando, mas ao chegar me mandaram procurar um hospital. Já é o segundo que eu procuro'', reclamou. A diretora da UBS, Rosimary Sanches Teixeira, lamentou a atitude dos grevistas. ''Há pacientes mais simples, que não sabem explicar a gravidade do problema, e estão sendo dispensados já na porta. Por outro lado, quando chega uma pessoa fazendo pressão, ela é autorizada a entrar'', afirmou.
Segundo a coordenadora de enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Kelen Wakassugui, a greve já provocou aumento da demanda em todos os hospitais da cidade. Ela recomendou que os pacientes que necessitem de atendimento de urgência e emergência telefonem para o Samu para solicitar ambulâncias ou se informar sobre o hospital mais adequado para ir. O número do Samu é 192.
''O atendimento praticamente dobrou'', disse o diretor geral do Hospital da Zona Norte, Adilson Castro. O número de pacientes no pronto-socorro do HZN passou dos habituais 170 para até 320 por dia. Castro garantiu que nenhum paciente está sendo recusado.
O Núcleo de Comunicação da prefeitura divulgou nota garantindo que hoje, 25 postos de saúde irão funcionar. A nota afirma que o atendimento será mantido no PAM, no PAI, Maternidade Municipal, Políclínica, Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e o laboratório Centrolab, além do Siate, Samu e Sistema de Internação Domiciliar.

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