Até políticos do Paraguai obtiveram vantagens
Curitiba - A temperatura da CPI do Banestado promete esquentar ainda mais na próxima quarta-feira, data marcada para o depoimento da ex-diretora de fiscalização do Banco Central (BC) Teresa Grossi. Os deputados querem saber, entre outros pontos, porque o BC não interveio antes no Banestado, já que em 1998 a instituição já registrava um prejuízo de R$ 2,8 bilhões. Quase todas as pessoas convocadas a depor, até agora, declararam que o Banco Central conhecia a situação do banco, mas preferiu omitir-se, deixando o banco quebrar.
O ex-diretor do Banco Del Paraná braço do Banestado no Paraguai , Alceu Carlos Preisner, que também prestou depoimento ontem lançou mais um embrólio a ser ''descascado'' pela ex-diretora do Banco Central. Segundo ele, uma prática comum no Del Paraná era conceder crédito a empresa ou pessoa física sem nenhuma garantia. O cliente recebia em dólar e apenas dava um cheque (em real) no valor emprestado, a ser descontado no prazo de seis meses a um ano, dependendo do contrato.
''Era um tipo de empéstimo totalmente incabível. Um privilegiado ía ao Departamento de Câmbio do Del Paraná, recebia o crédito e seu cheque era compensado um ano depois'', resumiu. Preissner afirmou que chegou a procurar o Banco Central para denunciar a prática e ficou de passar à CPI um relatório com nomes dos devedores e valores envolvidos nestas transações.
Este tipo de transação, segundo Preissner, começou em 1982, como um mecanismo para rentabilizar o banco. Eram abertas contas frias em agências no Brasil, que não eram do tipo CC5 (exclusivas para não residentes no Brasil). Ele calcula que no total estas contas movimentaram entre US$ 15 a 16 milhões.
Entre os devedores a este sistema, segundo ele, estavam os 37 parlamentares do Congresso do Paraguai. ''Nenhum honrou com o empréstimo ao banco'', concluiu. (M.G.)





