Brasília - Obtida pela reportagem, a íntegra da prestação de contas do PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2003 revela que a farra de gastos patrocinada com recursos do Fundo Partidário abastecido com dinheiro público está longe de se limitar às passagens aéreas para parentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
Um exame atento da documentação mostra que o PT costumava bancar jatinhos particulares para dirigentes partidários e para a então prefeita de São Paulo Marta Suplicy e pagou pelo menos uma viagem do marido dela, Luis Favre, a Paris (ao custo de R$ 17.700). Além disso, financiou despesas de três dos envolvidos nas investigações da CPI dos Correios, entre eles José Adalberto Vieira da Silva, preso com US$ 100 mil na cueca.
As notas fiscais, recibos e cheques anexados à prestação de contas do PT em 2003 mostram que o pagamento de aluguéis de jatos executivos com dinheiro do Fundo Partidário era rotina. A maioria das notas não indica quem viajava nas aeronaves, mas algumas discriminam como passageiro o então presidente da sigla, José Genoino.
A papelada também mostra que o partido pagou um jatinho para Marta Suplicy, em junho de 2003. A viagem a Brasília e Florianópolis ocorreu no dia 27 daquele mês e custou R$ 26.970. A despesa foi paga com um cheque da conta do partido que movimenta exclusivamente recursos do Fundo Partidário.
Segundo a nota fiscal da TAM Taxi Aéreo, a viagem de Marta no jato executivo PT-XMM começou em São Paulo, passou por Brasília, fez escala em Florianópolis e voltou à capital paulista. O controle do PT registra que a viagem teria como destino um ''encontro de deputados e vereadores'' do partido.
Assinado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o cheque que bancou o jatinho tem o número 851250, data de 10 de julho e é nominal à TAM Táxi Aéreo. O cheque registra que a despesa foi debitada da conta 140808-9, agência 3344, no Banco do Brasil. Justamente a conta do PT que recebe recursos do Fundo Partidário.
Entre as viagens misteriosas, está uma de Brasília a Ribeirão Preto, cidade do ministro Antônio Palocci. Se o PT não discriminou quem embarcou no jatinho, a JMSS Representações Aeronáuticas, empresa que emitiu a nota fiscal, foi ainda mais vaga. Não registrou a data da viagem nem o prefixo da aeronave. Só indicou o percurso Brasília-Ribeirão Preto-Brasília e o valor de R$ 8.520.
Procurada pela reportagem, a assessoria do PT afirmou que o partido ''cumpre rigorosamente as exigências legais na destinação dos recursos do Fundo Partidário. Não há qualquer impedimento legal para custear despesas de interesse partidário com recursos do Fundo Partidário.

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