Albari Rosa/Folha de LondrinaIndefiniçãoA reunião do PSDB, iniciada no final da tarde de ontem, não havia chegado a uma conclusão até o final da noiteAté as 22h30 - fechamento desta edição -, a executiva do PSDB do Paraná não tinha iniciado o processo de votação dos 60 integrantes do diretório estadual, que poderia abortar o processo de expulsão do governador Jaime Lerner do PDT, com um convite oficial para que ele ingresse no PSDB.
Pela primeira vez desde que a novela de Lerner no PSDB começou, ontem à noite o grupo dos defensores da entrada do governador no partido se preparou para enfrentar a resistência do grupo comandado pelo presidente regional, Hélio Duque e pelo presidente da Telepar, Álvaro Dias. Articulador nos bastidores a favor de Lerner, o ex-senador José Richa foi à reunião no hotel Abtur disposto a funcionar como peça-chave para fazer ‘‘a balança pender’’ para o lado do Palácio Iguaçu.
Durante os discursos que se estenderam das 17 horas - quando a reunião começou - às 22h30, era impossível qualquer prognóstico sobre qual grupo sairia vencedor porque os dois lados garantiam ter maioria dos 61 votos (o diretório tem 60 integrantes, mas o deputado estadual Cesar Silvestri tem voto duplo como líder de bancada.
Um exemplo da indefinição foi o discurso do prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko. Ele chegou a ser apontado como ‘aliado’ do Palácio Iguaçu, mas ao fazer uso da palavra revelou-se um dos mais aguerridos defensores do fechamento de portas do partido para o governador.
Richa entrou fazendo um discurso contemporizador. ‘‘Entendo a posição do Hélio Duque’’, afirmou. ‘‘O partido não deveria ser tratado como foi depois das eleições de 95, mas o Lerner não é um político’’, procurou justificar. Richa defendeu que o acesso a Lerner no PSDB ‘‘é bom para o próprio partido, o Paraná e o Brasil’’, referindo-se ao governador como uma conquista estratégica para ‘‘o projeto de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso’’.
Álvaro Dias se recusou a permitir comparações entre sua própria trajetória política com o caso do governador. E tentou afastar análises desse tipo com uma auto-avaliação, ao garantir que sua postura de agora não representa intransigência, mas ‘‘uma questão de coerência política’’. ‘‘É claro que eu já fui incoerente na vida, mas até por ter sido incoerente, tenho a obrigação de buscar o máximo da coerência a partir deste momento, em que eu julgo ter atingido a idade da razão em matéria de atividade política’’, afirmou.
Ele não poupou críticas à forma com que o assunto foi conduzido pelo terceiro andar do Palácio Iguaçu. ‘‘Houve um assédio incrível, principalmente sobre os prefeitos, que os levou a um constrangimento de assinar, mesmo contra a vontade, um papel. São assinaturas que não têm valor algum’’, dizia o presidente da Telepar.

mockup