Atas estão com quem deveriam estar, diz Requião
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Patrícia Zanin 
O candidato do PMDB ao governo do Estado, senador Roberto Requião, disse ontem ter ficado contentíssimo com as declarações do procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, de que o Ministério Público Federal no Paraná deverá receber documentos para possíveis investigações sobre o Banestado. A informação de Brindeiro foi dada anteontem à Folha em Curitiba.
O Brindeiro é corretíssimo, um sujeito de comportamento exemplar, elogiou Requião, que entregou ao procurador há cerca de seis dias, atas da diretoria do Banestado. As atas mostram as falcatruas, afirmou o senador. Segundo ele, os mesmos documentos tinham sido enviados ao Ministério Público do Estado e ao Banco Central. No Paraná, não houve resposta e no Banco Central cozinharam em água morna, reclamou.
As atas estavam na página do senador na Internet e seriam retiradas ontem por determinação do Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, o Supremo acatou o argumento do Banco Central (BC) de que sua divulgação conotaria quebra de sigilo bancário. O BC foi acionado pela direção do Banestado. Vou cumprir a determinação até porque os documentos já estão nas mãos de quem deveriam estar, que é o Ministério Público Federal.
Segundo ele, as atas eram públicas e estavam em seu site do Senado há seis, sete meses. Minha obrigação é fiscalizar o Estado. As atas eram de domínio público. O Romanelli (Luiz Cláudio, deputado estadual) tinha lido na Assembléia e o Osmar (Dias) no Senado. A gatarada angorá quer se esconder. Mas esse processo vai terminar com a responsabilização criminal de muita gente, do Osvaldo Magalhães, do Lerner. Os gatos do Banco estão próximos da cadeia, afirmou.
Segundo Requião, o discurso de posse de Luiz Antônio Fayet como presidente do Banestado, em janeiro de 1995, mostrava que o banco não estava em má situação. Apesar da fase de ajustamento da economia brasileira, informações tranquilizadoras mostram a condição favorável que se descortina ao conglomerado Banestado. Montamos diretrizes para um programa de trabalho que recebeu a aprovação de sua excelência, o senhor governador, conclui Fayet, no discurso. Menos de três anos depois, o Banco foi à bancarrota, acusou Requião.
A assessoria de Lerner disse ontem à Folha que a assessoria jurídica iria protocolar ação no TRE para que Requião não divulgue no horário gratuito as atas da diretoria que estão protegidas por sigilo bancário.


