Rio de Janeiro O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) transformou, ontem, o discurso na cerimônia de abertura da 36 Convenção Nacional dos Supermercados, na capital carioca, numa acalorada defesa dos oito anos de seu governo e numa resposta às críticas que os candidatos oposicionistas à Presidencia têm feito à administração dele.
Sem citar, explicitamente, os presidenciáveis do PT (Luiz Inácio Lula da Silva), PPS (Ciro Gomes) e PSB (Anthony Garotinho) nem a disputa presidencial, FHC classificou de ''ignorância'' e ''demagogia'' muitos ataques que tem recebido durante a campanha, acusou os críticos de negar a realidade e advertiu contra quem prega mudanças sem se preocupar com a volta da inflação.
''Até há quem fale de um outro modelo'', afirmou o presidente, em tom irônico, no pronunciamento para os participantes da solenidade promovida pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). ''Mas que modelo seria esse? Um obstáculo ao desenvolvimento? Querem um modelo desfavorável ao investimento? Como é que cresce, se o modelo não for favorável ao investimento? Querem aumentar a exclusão? Por que estamos aumentando a inclusão.''
Segundo FHC, houve nos últimos oito anos expansão no consumo e avanço dos indicadores sociais. ''Isso significa o quê? Exclusão? Não, isso é inclusão. Um outro modelo? Qual, que diminua a inclusão?'', questionou o presidente. Ele defendeu a continuidade do atual modelo, com gastos públicos controlados e inflação baixa: ''Se se imagina um outro modelo no qual a inflação não esteja sob controle, pobre povo! Pobre povo!''
De acordo com o presidente, quem paga o descontrole da inflação é o mais pobre. '' É o povo, só que ele paga sem saber que está pagando. Aí (quando há inflação) é fácil expandir gastos sem nenhum controle, prometer tudo a todo mundo'', disse Fernando Henrique Cardoso.
''A ignorância é a mãe da pobreza'', afirmou o presidente, insistindo em que o Brasil caminha para um modelo de desenvolvimento mais includente e apontando uma contradição entre os dados divulgados pelos supermercadistas, de aumento de vendas e expansão das redes de lojas, e as críticas à economia brasileira, nos últimos anos. ''Vai de mal a pior a cabeça de quem não é capaz de ver a realidade'', comentou FHC. ''Essa cabeça vai muito mal e pode prejudicar o Brasil.''

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