O clima quente na reta final da campanha eleitoral em Londrina ficou evidente no debate transmitido anteontem à noite pela TV Tropical (CNT). O encontro deixou de lado a discussão de propostas e ficou concentrado quase que exclusivamente em ataques pessoais. Atrás nas pesquisas de intenção de voto, Barbosa Neto (PDT) adotou o estilo mais agressivo e tentou explorar a rejeição do PT, partido do adversário Nedson Micheleti. ‘‘PT e MST é uma coisa só’’, acusou o pedetista. ‘‘Se discutir o partido não vamos discutir Londrina’’, rebateu Nedson.
Barbosa atacou o adversário já no início do segundo bloco, reservado para perguntas entre os candidatos. O pedetista quis saber se Nedson também tinha registrado em cartório o compromisso de abrir as contas pessoais e a declaração de imposto de renda depois de eleito. ‘‘Nós já apresentamos isso para a Justiça Eleitoral. Qualquer cidadão pode ter acesso, independente de estar ou não registrado’’, respondeu o petista.
Na sequência, questionado sobre a política de isenção do município, Barbosa criticou o aumento de IPTU concedido na administração do PT, de 1993 a 1996, quando o prefeito era Luiz Eduardo Cheida (hoje no PMDB). Nedson rebateu de primeira, lembrando que o vice de Barbosa, Assad Jannani (PPB), também foi vice de Cheida naquela administração e assinou um desses aumentos.
Na pergunta seguinte, Barbosa disse que o programa eleitoral de Nedson estava ‘‘coalhado’’ de artistas globais – referência à partipação dos atores Mário Lago, Sérgio Mamberti e Cássia Kiss no programa de Nedson. ‘‘Essa dramaturgia não é agressiva?’’, questionou. Nedson observou, na resposta, que os mesmos artistas participam de um movimento nacional pela ética que inclui até o PDT – partido de Barbosa.
Depois, Nedson voltou a tocar no assunto das isenções, considerando a Lei de Responsabilidade Fiscas. De acordo com a lei, qualquer isenção tem que ser compensada por outra receita. Por isso, o petista quis saber de onde sairia o dinheiro para financiar as propostas do adversário. ‘‘A gente não é irresponsável de tirar uma proposta sem planejamento. Fizemos as contas’’, respondeu, sem maiores detalhes e reclamando que o petista só sabia colocar ‘‘empecilhos’’.
Barbosa também usou trecho do site do PT que fala sobre as responsabilidades dos eleitos. ‘‘Quem vai mandar na prefeitura: o PT ou a prefeito?’’, questionou. ‘‘Eu mando na minha campanha, ao contrário de outras’’, devolveu Nedson, com ironia – referência a comentários de que o vice de Barbosa, Assad Jannani (PPB), terá o comando de fato, caso o pedetista seja eleito. Nedson também lembrou que o prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati (PFL), foi eleito pelo PDT – partido de Barbosa.
Na sequência, o pedetista atacou novamente o PT, dizendo que em Mato Grosso do Sul (MS), estado administrado pelo partido, houve invasão de terra produtiva. ‘‘Eu ainda não vi o Barbosa defendendo a reforma agrária’’, retrucou o petista.
Nedson perguntou três vezes qual a opinião de Barbosa sobre as ocupações urbanas – onde o pedetista concentra as maiores intenções de voto. Ficou sem resposta. Na última pergunta, Barbosa – com um recorte de jornal na mão – lembrou de uma acusação contra Nedson de uso indevido de carro oficial na época em que ele era presidente da Cohab, em 1993. O petista respondeu com outra acusação: de que, nesta semana, o pedetista teria utilizado espaço público da prefeitura para fazer campanha política.

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