Ataques marcam debate transmitido pela CNT
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quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O clima quente na reta final da campanha eleitoral em Londrina ficou evidente no debate transmitido anteontem à noite pela TV Tropical (CNT). O encontro deixou de lado a discussão de propostas e ficou concentrado quase que exclusivamente em ataques pessoais. Atrás nas pesquisas de intenção de voto, Barbosa Neto (PDT) adotou o estilo mais agressivo e tentou explorar a rejeição do PT, partido do adversário Nedson Micheleti. PT e MST é uma coisa só, acusou o pedetista. Se discutir o partido não vamos discutir Londrina, rebateu Nedson.
Barbosa atacou o adversário já no início do segundo bloco, reservado para perguntas entre os candidatos. O pedetista quis saber se Nedson também tinha registrado em cartório o compromisso de abrir as contas pessoais e a declaração de imposto de renda depois de eleito. Nós já apresentamos isso para a Justiça Eleitoral. Qualquer cidadão pode ter acesso, independente de estar ou não registrado, respondeu o petista.
Na sequência, questionado sobre a política de isenção do município, Barbosa criticou o aumento de IPTU concedido na administração do PT, de 1993 a 1996, quando o prefeito era Luiz Eduardo Cheida (hoje no PMDB). Nedson rebateu de primeira, lembrando que o vice de Barbosa, Assad Jannani (PPB), também foi vice de Cheida naquela administração e assinou um desses aumentos.
Na pergunta seguinte, Barbosa disse que o programa eleitoral de Nedson estava coalhado de artistas globais referência à partipação dos atores Mário Lago, Sérgio Mamberti e Cássia Kiss no programa de Nedson. Essa dramaturgia não é agressiva?, questionou. Nedson observou, na resposta, que os mesmos artistas participam de um movimento nacional pela ética que inclui até o PDT partido de Barbosa.
Depois, Nedson voltou a tocar no assunto das isenções, considerando a Lei de Responsabilidade Fiscas. De acordo com a lei, qualquer isenção tem que ser compensada por outra receita. Por isso, o petista quis saber de onde sairia o dinheiro para financiar as propostas do adversário. A gente não é irresponsável de tirar uma proposta sem planejamento. Fizemos as contas, respondeu, sem maiores detalhes e reclamando que o petista só sabia colocar empecilhos.
Barbosa também usou trecho do site do PT que fala sobre as responsabilidades dos eleitos. Quem vai mandar na prefeitura: o PT ou a prefeito?, questionou. Eu mando na minha campanha, ao contrário de outras, devolveu Nedson, com ironia referência a comentários de que o vice de Barbosa, Assad Jannani (PPB), terá o comando de fato, caso o pedetista seja eleito. Nedson também lembrou que o prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati (PFL), foi eleito pelo PDT partido de Barbosa.
Na sequência, o pedetista atacou novamente o PT, dizendo que em Mato Grosso do Sul (MS), estado administrado pelo partido, houve invasão de terra produtiva. Eu ainda não vi o Barbosa defendendo a reforma agrária, retrucou o petista.
Nedson perguntou três vezes qual a opinião de Barbosa sobre as ocupações urbanas onde o pedetista concentra as maiores intenções de voto. Ficou sem resposta. Na última pergunta, Barbosa com um recorte de jornal na mão lembrou de uma acusação contra Nedson de uso indevido de carro oficial na época em que ele era presidente da Cohab, em 1993. O petista respondeu com outra acusação: de que, nesta semana, o pedetista teria utilizado espaço público da prefeitura para fazer campanha política.


