O secretário de Segurança do Paraná, José Tavares, disse ontem que o atentado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em Curitiba pode ter sido executado sem um mandante. ‘‘Houve um momento em que eu achava que sim. Hoje já tenho minhas dúvidas de que haja um’’, disse. Tavares considera que os próprios executores do incêndio ‘‘tinham interesse indireto’’ em destruir provas contra o crime organizado. Ele acredita que o inquérito policial, que será entregue hoje ao MP, não cite o nome de um suposto mentor.
A tese de Tavares surpreende, sobretudo porque o delegado Adauto de Oliveira, que conduziu a primeira parte das investigações, disse e reiterou à imprensa que havia ‘‘um figurão’’ de Curitiba por trás do atentado. Questionado se sua conclusão poderia frustrar a opinião pública, Tavares respondeu: ‘‘Se houver alguma razão que nos obrigue a caminhar nessas investigações para ver se tem algum mandante, vamos fazer isso’’.
A investigação entra hoje numa nova fase. Depois de 30 dias sob responsabilidade da Divisão de Narcóticos (Dinarc), o inquérito será encaminhado ao MP, que tem cinco dias para decidir se pede novas diligências, defenda o arquivamento ou apresente a denúncia dos acusados. As investigações resultaram na prisão de cinco pessoas e no indiciamento de sete. O atentado teria sido cometido pelo tenente Alberto Silva Santos e o taxista Alexsandro Ribeiro, o ‘‘Magrão’’. Santos nega envolvimento. O policial civil Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’, confessou ter dirigido o carro do tenente até a PIC.
O sargento Ademir Leite Cavalcante também está preso. Contra ele há uma denúncia do cabo João Sezipanski que o acusa de ameaça de morte por ter se recusado a prejudicar a investigação. Segundo o cabo, Cavalcante teria mencionado o nome do advogado Antônio Pellizzetti e do policial civil Mauro Canuto, que foi preso e solto por falta de provas. O DJ Emerson Vieira, o ‘‘Pitt’’, tentou ser um álibi para o tenente, mas foi preso e colaborou para a identificação de Magrão. Pellizzetti também foi indiciado.
Ontem, a polícia ouviu o segurança ‘‘Marcão’’ da Boate Sexys. Ele mora na casa em que Magrão guardou documentos roubados da PIC e deve ser indiciado por saber que o taxista escondia documentos públicos.

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