Ataque frontal
Estimulado pela reação da Procuradoria da República, o recurso contra a medida que tirou Beto Richa, seus familiares e amigos da cadeia, conjunto da Procuradoria de Justiça estadual, faz ataque frontal, o formalmente mais forte até hoje, contra o ato liberatório do ministro Gilmar Mendes visto como parcial e consequentemente suspeito.
É um ato de solidariedade e firmeza de toda a instituição, desde a federal até a regional, fato incomum na vida brasileira, mas ajustado às anomalias e de rotina como a insistência de ministros das cortes superiores emitirem juízo de valor sobre matérias que ainda vão apreciar. Nesse caso ficou visível que violou o princípio da imparcialidade ao se manifestar contrário à prisão em entrevista antes de avaliar os fundamentos do habeas corpus. A defesa valeu-se do expediente de sugerir que as prisões temporárias adotadas estavam reproduzindo normas proibidas no caso específico das "conduções coercitivas". Esse clima, incontrolável, está mantendo a atmosfera de politização judicial. Em situações anteriores o ministro Gilmar Mendes não se arguiu à suspeição como agora e com tão fortes argumentos. A defesa do ex-governador fez isso como uma forma de driblar a distribuição normal entre os ministros por saber que o relator do processo que interditou as conduções coercitivas era o ministro Gilmar Mendes.
Longe de Moro
Ratificando decisão anterior, que transferia o caso da investigação do chuncho da Odebrecht de Beto Richa para a justiça eleitoral, o STJ consumou a retirada do processo de Sergio Moro e por unanimidade. Como anteriormente, o processo será redistribuído. O juiz federal pediu que mantivessem as prisões de Jorge Atherino e Deonilson Roldo.
Viralizando
O clima passional da campanha está contaminando as instituições: 29 dos 38 vereadores da capital vão elaborar projeto de mudança na Lei Orgânica do município que trata da ideologia de gênero nas escolas. É um repique à derrota que tiveram na pretensão de impor a doutrina da escola sem partido. A secretaria de Educação e o Conselho Municipal de Educação haviam também se manifestado abertamente como transgressão a disposições orgânicas.
Amostragem
É mais rica a amostragem do Datafolha feita com 8.601 eleitores em 323 municípios e assim mesmo com margem de erro de dois pontos percentuais. Ela dá Bolsonaro com 28%, Haddad com 16%, mas com Ciro Gomes se saindo melhor no embate de segundo turno. Isso abriu os olhos do centrão no sentido de abandonar Alckmin, que foi pressionado para tentar sair da estagnação. Na do Ibope, Haddad vai a 19%, enquanto o capitão reformado fica nos 28%.
Há muito ceticismo em relação às pesquisas e a maior das críticas é a referente à dimensão da amostra, normalmente bem menor até para baixar os custos. É que a fase da campanha na base do dólar e dos marqueteiros milagrosos como Duda Mendonça e João Santana já era.
Cresce pouco
Segundo previsão da Associação Comercial do Paraná, no Dia da Criança haverá uma pequena, mas positiva, sinalização de aumento de vendas da ordem de 0,8%. De qualquer forma as lojas estão se preparando para a motivação com apelos nas vitrines e em alguma propaganda.
Estar digital
Prefeitura de Curitiba retomou a ideia de digitalizar o estacionamento. A ideia havia sido abandonada e agora já se cogita da licitação do serviço.
Parcelamento
Está sendo cogitado pelo governo estadual um novo parcelamento de dívidas fiscais sob o fundamento da conjuntura econômica difícil. Na oposição cogita-se de questionar se esse tipo de providência fere ou não a legislação eleitoral. Já tivemos o caso do aumento salarial do funcionalismo, em que a posição de austeridade do governo foi também derrotada no veto ao reajuste de 2,76%,
Detalhes
É a hora do detalhe na campanha eleitoral: conforme o Datafolha, 40% dos eleitores ainda podem mudar seu voto. Ciro Gomes, que lidera os confrontos de segundo turno, o que coloca em destaque seu potencial, é um dos maiores beneficiários de migração de votos: 76% dos eleitores de Haddad, 60% de Alkmin e 59% no de Marina. Mas tudo isso encontra um forte complicador: 68% não sabem o número do candidato do PDT. Dá impressão de um forte diagnóstico para tentar a arrancada e, é claro, conter os impulsos, marca do estilo. .
Eleitores mais fiéis são os que se postam em favor dos polarizadores Bolsonaro e Haddad: apenas um de cada quatro eleitores admite a possibilidade de mudar o voto.O que não garante coisa alguma, já que implica em um quarto das convicções.
Folclore
Prisão de Lula, em função do vitimismo, aureolou-o como candidato presidencial durante longo tempo na liderança das pesquisas de opinião. No caso de Beto Richa se deu o anverso: zero de solidariedade (6% dos prefeitos atenderam sua convocação) e sofreu queda livre. Quando era prefeito de Curitiba os decalques nos automóveis pediam "fica, Richa" e agora parecem não querer sequer que ele volte à política.

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