Tamarana poderá criar a secretaria de Assuntos Indianistas. O projeto do Executivo será encaminhado esta semana à Câmara de Vereadores. Com a medida, o prefeito Edison Siena (PDT) pretende demover os índios da reserva Apucaraninha da idéia de continuarem pertencendo a Londrina. A ‘briga’ entre Londrina e Tamarana pela reserva é econômica - a área rende mais de R$ 10 mil por mês de royalties ecológicos e tem potencial turístico, com um das quedas d‘água mais belas de toda a região. O salto Apucaraninha tem mais de 100 metros de altura.
A disputa pela área indígena começou no final de 1995, com a emancipação de Tamarana. A reserva foi incorporada ao novo município, mas os 970 índios caingangues da reserva Apucaraninha protestaram - eles quiseram manter o vínculo com o ‘município-mãe’. O deputado Florisvaldo Fier (PT) apresentou um projeto, propondo a devolução da área a Londrina. O projeto foi aprovado pela Assembléia Legislativa, mas a lei foi suspensa devido a uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná, no dia 22 de setembro.
A decisão judicial foi uma resposta à ação direta de inconstitucionalidade impetrada pelo deputado José Maria Ferreira (PSDB), em nome da AL, a pedido de Siena. Novamente a comunidade indígena protestou e uma comissão chegou a ir até a Assembléia. Um novo projeto de lei foi apresentado e aprovado, decidindo pela realização de um plebiscito na reserva. Os índios estão irritados com a demora na marcação da consulta popular.
‘‘A comunidade fica cobrando, perguntando por que demora tanto. E a gente não sabe o que falar’’, observa o cacique da reserva, Jucelino Vergílio. Ele quer a realização do plebiscito ainda neste ano.
Edison Siena alega que a secretaria de Assuntos Indianistas definirá as prioridades dos índios e a prefeitura poderá incrementar o atendimento médico, odontológico e assistencial à comunidade. (P.Z.)

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