Curitiba - A frase do governador Roberto Requião (PMDB) sobre o câncer de mama, durante a ''escolinha'' da última terça-feira, provocou a reação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e da Associação Paranaense da Parada da Diversidade (APPAD), que agora exigem uma audiência com o peemedebista e também um espaço na próxima ''escolinha'', marcada para o dia 3. A ''escolinha'' é a reunião semanal (toda terça-feira) do primeiro escalão do Executivo, transmitida ao vivo pela TV Educativa. As duas associações enviaram ontem ofícios ao Palácio das Araucárias.
A declaração do governador Requião que repercutiu negativamente foi feita quando o peemedebista anunciou a participação do secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin. ''Eu chamaria o Gilberto Martin, que vai, em um espaço reduzido de tempo, anunciar a implementação de ações estratégicas para o controle do câncer. A ação do governo não é só em defesa do interesse público. É da saúde da mulher também. Embora hoje o câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser consequência dessas passeatas gay'', disse Requião.
A assessoria de imprensa do governador Requião recebeu o pedido de audiência, cuja data ainda será estudada. A agenda do governador Requião já estaria fechada hoje para compromissos em Curitiba e no interior.
As associações ainda esperam resposta quanto à possibilidade de participação na próxima ''escolinha''. Mas um decreto assinado pelo próprio governador em julho já definiria as regras nos casos de direito de resposta. O decreto 5.100 dispõe que ''toda pessoa que for tratada de maneira desairosa e sentir-se ofendida nos programas da televisão pública do Estado do Paraná terá assegurado o direito de resposta''.
Segundo o decreto, o direito de resposta ocorrerá ''em dias e horários dos programas em que se deu a ofensa, no âmbito da programação da televisão pública, ao vivo e pelo ofendido''. A resposta deverá observar a duração da matéria original.
Em um dos ofícios, assinado pelo presidente da ABGLT, Toni Reis, está escrito que o governo do Estado tem sido considerado ''um grande aliado dos direitos humanos de todas as comunidades, inclusive da comunidade LGBT'', mas que o comentário do governador Requião ''não foi de bom tom''. ''As piadas com relação à nossa comunidade infelizmente reforçam o preconceito, a discriminação e a violência que sofremos. Sabemos que Vossa Excelência gosta muito de humor e realmente o humor ajuda os discursos a serem entendidos melhor pela população (...). Felizmente, a plateia não deu gargalhadas e o Secretário de Estado da Sa© úde, Gilberto Martin, foi feliz nas suas colocações a respeito'', escreveu Reis.
No final da carta, Reis reforça que considera o governador Requião um aliado e que a comunidade BGLT atua ''contra todas as doenças, inclusive o câncer de próstata''. Um outro comentário do governador Requião sobre o câncer de próstata, em setembro, também durante a ''escolinha'', já tinha provocado a irritação do secretário da Saúde. O governador Requião fez piada após uma exposição de representantes de uma associação de Uro-Oncologia, ao perguntar se haveria toque retal gratuito durante a Semana da Saúde do Homem. Logo em seguida, Martin tomou a palavra: ''Peço para que seja evitado este tipo de comentários. Eles não colaboram para conscientizar os homens da importância do exame. Ninguém tem sua masculinidade atingida ao proteger sua sa©úde''.

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