Associação quer que FHC cumpra a Lei da Anistia
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos Negrini/Folha de LondrinaIldeu: O governo Fernando Henrique Cardoso traiu os anistiadosA Associação Brasileira dos Anistiados Políticos (Abap) inicia esta semana uma ação nacional cobrando o cumprimento da Lei da Anistia. O delegado da Abap no Paraná, Ildeu Manso Vieira, que mora em Mandaguari (33 quilômetros de Maringá), acusa o presidente Fernando Henrique Cardoso de não cumprir o que foi determinado pelas leis de 1979 e 1985, que prevêem o pagamento de aposentadoria aos anistiados.
Ele calcula que hoje mais de mil anistiados estão sem receber qualquer benefício do governo. Chegamos a receber durante algum tempo em outros governos, mas o presidente Fernando Henrique suspendeu o pagamento, explica Vieira. Ele diz que a entidade, com o apoio de grupos de defesa dos direitos humanos, já acionou o Congresso e ministros, mas nada adiantou.
Segundo Vieira, a maioria dos anistiados sofreu com sequelas irreversíveis causadas por torturas durante a ditadura militar. A maior parte hoje não consegue sobreviver sem alguma ajuda, e por isso vamos denunciar o descaso do governo. Ele afirmou que, enquanto os anistiados precisam lutar por seus direitos, as famílias dos mortos na guerrilha recebem normalmente.
Vieira lembra, no entanto, que o governo do Paraná é o pioneiro em reconhecer os anistiados e garantir o cumprimento da lei que vai pagar indenizações. A Lei 11.255, de 1995, do deputado estadual Beto Richa, foi regulamentada pelo Estado, e prevê o pagamento de valores que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil para os anistiados. O governador Jaime Lerner vai receber todos os anistiados do Paraná em Curitiba, hoje, para oficializar a regulamentação da lei, explica Vieira.
Ele calcula que hoje o Estado tem cerca de 100 anistiados, que serão beneficiados com a lei de Beto Richa. O importante não é o dinheiro, mas o resgate da cidadania dos que foram torturados na defesa da Nação, diz Vieira. O projeto do Paraná está sendo analisado agora pelos deputados gaúchos, que pretendem garantir os mesmos benefícios aos anistiados do Rio Grande do Sul.


