Associação quer desconto durante a safra
Cláudia Lopes
Lúcio Horta
De Londrina
Um desconto de 70% no transporte de qualquer produto agrícola durante os meses de fevereiro a abril é uma das sugestões que serão levadas pelo presidente da Associação dos Usuários de Rodovias, Paulo Muniz, ao Seminário promovido pelo Sindicato das Empresas de Cargas do Paraná (Setcepar) no próximo dia 18, em Curitiba. A Associação foi criada anteontem durante Fórum dos Usuários de Rodoviasm que contou com apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná, no Hotel Sumatra, em Londrina.
O pedágio tem grande impacto no custo dos produtos primários, que têm menor valor agregado. Além disso, a movimentação da safra agrícola é feita em trechos pequenos, de Assaí a Londrina, por exemplo, justificou Muniz, que também é presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar).
Na criação de frangos vivos, o pedágio representa o impacto de mais de um, dos seis lotes produzidos por ano ou 20% da receita bruta do produtor. São feitas cerca de 90 viagens por ano que custam entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, que é o preço de um lote. É o trabalho de 50 dias de uma família, afirmou Muniz.
Outras propostas que serão apresentadas pela Associação, no próximo dia 18, incluem a criação de uma agência estadual de regulação das concessões de rodovias que funcione no acompanhamento dos contratos feitos pelo governo.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Francisco Galli, disse ontem que ainda não avaliou se o percentual de 70% será ou não suficiente para ajudar o produtor rural. Mas concordou com a idéia. Qualquer taxa que incida pode inviabilizar a produção. Por isso esse desconto não pode ser considerado um privilégio, afirmou. Galli lembrou que não adianta o produtor ser competitivo dentro da fazenda e deixar de ser quando cai na estrada, para escoar a produção.
Para o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazzei Ponti, a proposta da associação é necessária para viabilizar o trabalho do produtor rural. Estamos sofrendo uma série de problemas na safra e mais um aumento no pedágio seria inviável, afirma. Ponti recorda, por exemplo, que quando o programa de pedágio foi implantado no Estado o produtor rural ganhou cupons com descontos de 50%. Os cupons acabaram quando o desconto foi estendido para todos os usuários.
Se não for assim, torna-se insuportável. Temos casos de produtores que passam quatro vezes ao dia pelo pedágio. E só usa seis quilômetros de rodovia!, reclamou. Ponti alerta que, se não houver alternativa, os produtores podem reagir. Tudo tem limite. Daqui a pouco terá produtor fechando praça de pedágio, alertou.
O secretário municipal de Agricultura, Samir Curi, também considerou a idéia excelente. Quanto ao percentual não posso concordar sem apurar as contas. Mas existem muitas circunstâncias ao encaminhar o produto para a cooperativa e qualquer novo custo pode onerar inclusive o consumidor, observou.
A Folha tentou ouvir ontem o secretário estadual dos Transportes, Heinz Herwig, mas ele não foi encontrado. (Leia mais sobre o pedágio na Folha Reportagem).Recém-criada Associação dos Usuários de Rodovias propõe desconto de 70% para transporte da safra agrícola nas vias do PR
Arquivo FolhaLIMITAÇÃOPedágio traz impacto no custo dos produtos agrícolas: entidade que representa os usuários pede uma revisão nos valores





