Associação dos Magistrados repudia críticas
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terça-feira, 11 de março de 2008
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Juízes do Paraná não gostaram nada das declarações do governador Roberto Requião (PMDB). Em nota, o desembargador Miguel Kfouri Neto, presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), disse que ''é muito cômodo transferir responsabilidades''. Na avaliação de Kfouri, em entrevista à FOLHA por telefone, as declarações do governador são para ''desviar o foco da discussão'', tirando do governo o peso da responsabilidade sobre a segurança.
''É evidente que o Tribunal de Justiça e os juízes preocupam-se com o aumento da criminalidade. Ao contrário do que foi afirmado, o Judiciário não liberta nenhum réu de forma precipitada. Apenas cumpre as leis que aí estão, elaboradas até mesmo pelo governador, quando integrava o Senado da República'', diz a nota oficial da associação, divulgada horas depois da 'escolinha'.
O desembargador destacou também a necessidade de um sistema prisional eficiente e atuação coordenada dos órgãos de segurança pública. ''Se as leis são brandas, mudem-se as leis. Reduzir a violência depende, sobretudo, da atuação coordenada dos órgãos da segurança pública, de um sistema prisional eficiente, de policiamento nas ruas e de policiais sérios. Os juízes do Paraná têm feito sua parte, de forma exemplar, por isso repudiam essas críticas desarrazoadas'', finaliza a nota.
Essa não é a primeira vez que Requião e o Poder Judiciário entram em rota de colisão, o que já ocorreu no primeiro governo do peemedebista (1991-94). E, no início deste ano, Requião e o Judiciário entraram em choque novamente por causa de decisões do Tribunal Regional Federal da 4 Região em relação à TV Educativa, que o governador considerou como ''censura''. As decisões proíbem promoção pessoal e ataques a adversários veiculados pela TV Educativa.


