A Associação Paranaense do Ministério Público do Paraná (APMP), que reúne mais de 700 procuradores e promotores de Justiça do Estado, manifestou ontem repúdio aos ataques do deputado federal José Janene (PPB) aos promotores Solange Vicentin, Bruno Galatti e Cláudio Esteves. Os três são os principais responsáveis pela investigação dos desvios da Prefeitura de Londrina. Em entrevista coletiva, anteontem, Janene acusou os promotores de coagir testemunhas e usar métodos de tortura para colher depoimentos.
‘‘Eu entendo que esses ataques são infundados. Os promotores de Justiça que estão à frente desse trabalho são valorosos, sérios, comprometidos com o ideal da Justiça’’, afirmou ontem a presidente da APMP, Maria Tereza Uille Gomes. Ela informou que conheceu de perto o trabalho dos três promotores, quando trabalhou em Londrina, há cerca de quatro anos. ‘‘Posso atestar pessoalmente a seriedade e a idoneidade de cada um.’’
Sobre as acusações de coação, Maria Tereza observou que ao invés de fazer ataques pela imprensa, Janene poderia ter comunicado o caso para a Corregedoria Geral do Ministério Público, que é o canal adequado. ‘‘O ônus da prova é sempre de quem alega, e nos meios competentes’’, ponderou.
A presidente da APMP citou ainda a manifestação do Movimento pela Moralização da Administração Pública de Londrina, lembrando que o grupo não é ‘‘clandestino’’, como diz Janene, mas reúne entidades representativas.
Além da associação estadual, o grupo de estudos ‘‘Promotor Santa Rita’’, que reúne promotores de Justiça de Londrina e região, também divulgou ontem uma nota de desagravo. ‘‘Os agentes da instituição, absolutamente despidos de qualquer motivação de ordem pessoal ou de natureza político-partidária, vêm adotando todas as providências voltadas à apuração das irregularidades que lhes chegam ao conhecimento’’, diz trecho da nota, assinada pela promotora Édina Maria Silva de Paula, coordenadora do grupo.

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