A Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) cancelou reunião ordinária que seria realizada hoje para discutir possibilidade de expulsão dos municípios de Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana) e Imbaú (104 km ao norte de Ponta Grossa) – que suspenderam o repasse de 10% da arrecadação de ISS gerada por praças de pedágio. As duas prefeituras alegam que já contribuem com a associação via mensalidade e que a cobrança do ISS alcança apenas cinco das 19 cidades que compõem a entidade.
  A ameaça de desligamento foi feita pelo presidente da AMCG, o prefeito de Castro, Moacyr Fadel (PMDB). Fadel foi procurado pela reportagem terça-feira e ontem mas não retornou as ligações.
  O prefeito de Ortigueira, Geraldo Magela do Nascimento (PSDB), adiantou à Folha na terça-feira que irá se retirar da entidade em razão da ‘‘cobrança indevida’’. Ontem, por meio da assessoria de imprensa, disse desconhecer as razões do cancelamento da reunião e garantiu que a intenção de sair da ACMG é definitiva.
  O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Sorvos – prefeito de Nova Olímpia – se mostrou preocupado com o embate e afirmou que irá se inteirar melhor do assunto para ajudar a recobrar a ‘‘paz’’ entre os municípios. ‘‘Eu não tenho todas as informações sobre isso, mas espero que a
situação seja resolvida com sabedoria e inteligência. Nunca houve expulsão nas associações microrregionais do Paranᒒ, afirmou.
  De acordo com Sorvos, a razão da polêmica – repasse de ISS de cidades com praça de pedágio – é incomum. ‘‘Não existe essa cobrança nas outras associações, a maioria trabalha em cima de mensalidades. Mas cada região tem seu próprio critério para ratear as despesas’’, declarou. Apesar do clima de confronto, o presidente da AMP não acredita que as ameaças de expulsão ou desligamento vão se cumprir. ‘‘Tenho certeza de que a visão individualista não vai prevalescer.’’
  Durante a polêmica nos Campos Gerais, alguns prefeitos disseram que poderiam se filiar em outra associação sem nenhum prejuízo – alegando que a AMCG não desenvolve ações efetivas nos municípios. O presidente da AMP discordou da afirmação e disse que as entidades são importantes porque ‘‘defendem os assuntos de interesse regional’’. Para exemplificar, citou uma série de conquistas que, segundo ele, foram obtidas coletivamente: aumento de verba para transporte escolar; transferência da cobrança da taxa de iluminação para a Copel; aumento dos repasses para os municípios; entre outras. A batalha mais importante do momento está sendo travada com o governo federal para aumentar o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 1%.
  Luiz Sorvos explicou também que algumas associações de municípios são responsáveis pela administração dos consórcios de saúde. No Paraná, existem 19 associações microrregionais – a maior é a Associação dos Municípios do Centro Oeste do Paraná (AMOP), com 51 municípios, e a menor, a Associação dos Municípios da Região Suleste (AMSULEP), com 4 municípios.

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