Curitiba A prática do assistencialismo está enraizada no Poder Legislativo municipal. A conclusão é de um levantamento realizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais, que entrevistou vereadores nas principais capitais brasileiras. No Paraná, alunos do curso de serviço social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) ouviram os 35 vereadores da Câmara de Curitiba.
Segundo a professora Odária Battini, uma das coordenadoras da pesquisa, o quadro em Curitiba é semelhante ao do resto do País. Pelos dados apurados, cerca de 80% dos vereadores afirmaram ter ligação com alguma categoria. ''A maioria dos vereadores tem vínculos com algumas entidades, como asilos, igrejas e associações de moradores, o que é perfeitamente legítimo. Mas muitos acabam praticando o assistencialismo, com ajuda financeira às entidades por exemplo, o que é condenável'', afirmou Odária.
Para a professora, as entidades deviam reivindicar seus direitos junto aos representantes do Poder Executivo. ''Quando se delega a um vereador a tarefa de praticar a assistência social, está se cometendo um ato inconstitucional. As verbas e recursos utilizados para este fim deviam ser dirigidas aos fundos municipais para resolver os problemas na área de saneamento, educação, etc'', analisou.
A pesquisa foi realizada em setembro, seguindo um padrão estabelecido pela Associação. Os dados tabulados relativos à Câmara de Curitiba serão divulgados apenas na próxima quinta-feira, dia 31. ''Enviaremos cópias também para os vereadores, não apenas com os dados mas com a análise que faremos do material'', disse Odária.

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