Curitiba – Um dia após a Assembléia Legislativa do Paraná ter recebido a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe a prática do nepotismo nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e no Ministério Público do Estado, o líder do Governo, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disse que a PEC não tem as 18 assinaturas necessárias para tramitação na Casa. Ele afirma que uma das assinaturas foi erroneamente identificada pela Mesa como sendo do deputado Edgar Bueno (PDT). ‘‘Não é do Edgar Bueno, nem de nenhum outro deputado da Casa’’, disse. O próprio pedetista não assume a autoria da assinatura. ‘‘Não assinei a PEC nem vou assinar.’’
  O deputado Tadeu Veneri (PT), autor da PEC, explica que não se lembra se o deputado do PDT assinou ou não. ‘‘Nós estamos coletando assinaturas desde fevereiro. Eu entreguei a PEC para todos os deputados analisarem.’’
  O líder do Governo enfatizou que não está ‘‘acusando ninguém de ter falsificado uma assinatura’’, mas que a PEC ‘‘não cumpre com as formalidades legais previstas’’. Pelo Regimento Interno, uma PEC só pode ser protocolada se tiver, no mínimo, o apoio de 18 deputados.
  O presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), disse que cabe ao departamento Legislativo da Casa fazer uma nova conferência dos nomes. ‘‘Se não encontrarem o autor da assinatura aí nós devolvemos a PEC para seu autor.’’
  Pelo fato do líder do Governo já ter declarado abertamente que é contra a PEC do deputado Veneri, o ‘‘mistério’’ em torno da assinatura rendeu comentários nos bastidores da Casa. Deputados falavam, por exemplo, que não é praxe conferir as assinaturas que constam em propostas protocoladas na Casa.
  Ontem, Veneri primeiro preferiu ser cauteloso ao tratar do assunto e chegou a cogitar falha da Mesa ou durante a coleta de assinaturas. Em entrevista à imprensa, no entanto, ele falou da ‘‘pressão’’ ao reapresentar a PEC. ‘‘Já sabíamos que de uma maneira ou de outra isso aconteceria. Estão tentando antecipar a manobra’’, acusou ele, sem citar nomes, nem entrar em detalhes.

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