Curitiba - A primeira reunião da CPI do Pedágio, ontem, começou com um desentendimento entre os deputados estaduais. Com o recesso na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná começando amanhã, o prazo de 120 dias que a comissão tem para apresentar resultados a população é suspenso, mas eles queriam deixar uma equipe técnica montada para começar a estudar os documentos. O impasse surgiu na hora de definir a forma de contratação dessas pessoas, que poderiam assumir cargos comissionados na AL de até R$ 11 mil.
O presidente da comissão, Nelson Luersen (PDT), defende que um escritório com advogados, engenheiros e estatísticos seja contratado para apoiar a investigação dos deputados estaduais. Isso poderia ocorrer com ou sem licitação. Alceuzinho Maron (PSDB) insistiu no trâmite legal e, quando Nereu Moura (PMDB) disse que isso podia ser resolvido depois, por ser uma "questão administrativa", o tucano não gostou. "Acho positivo que a CPI queira se cercar dos melhores técnicos, mas me preocupa que ela fique engessada enquanto as contratações não acontecem", questionou Maron.
"A direção da AL pode até dispensar a licitação, mas isso não acontece do dia para a noite. Acho que devíamos começar requisitando os técnicos da própria Assembleia e do Tribunal de Contas (TC) do Estado, que podem nos assessorar. Temos que pegar dentro da estrutura pública os assessores necessários, para depois complementar com outros técnicos de renome", sugeriu o tucano. Luersen disse que o assunto voltará a ser tratado amanhã, às 9h, numa reunião extraordinária da CPI do Pedágio.
Classificando de "dificuldade" a montagem da equipe técnica, o presidente da CPI disse que a comissão não tem como competir pelos melhores técnicos com as concessionárias. Eu espero que eles (os assessores da CPI) recebam bem, pois as concessionárias pagam bem. Nós vamos contratar pagando no máximo R$ 11 mil. As concessionárias têm condições de pagar R$ 1 milhão por um técnico. É uma concorrência desleal", reclamou Luersen, acatando a ideia de buscar pessoas na AL e no TC para o início da apuração.
Na reunião de amanhã, os deputados votarão requerimentos solicitando informações a órgãos como o TC, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar) e o Departamento de Estradas e Rodagens (DER), ligado à Secretaria estadual de Infraestrutura). "Eu acredito que o primeiro passo é pedir cópia do processo licitatório das rodovias e dos contratos", adiantou Luersen. O relator da CPI, Douglas Fabrício (PPS), informou que haverá uma página na internet para a população sugerir ações e repassar dados à comissão.

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