Assessores divergem sobre divisão de salários
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
Vanessa Navarro e Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
As investigações sobre suposto ato de concussão em torno do vereador Paulo Arildo (PSDB) foram reforçadas ontem com o depoimento do entregador Edezio Viana da Silva, ex-assessor do tucano, que admitiu ter ''repartido'' salários com o parlamentar entre os anos de 2005 e 2006. Esta já é a terceira suposta vítima do crime pelo qual o parlamentar é investigado no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na parte da tarde, porém, a assessora de gabinete Isabella Ariane Faiad e a esposa de Arildo, Valéria Crsitina de Oliveira Domingues, também foram ouvidas, mas rechaçaram a suposta divisão de vencimentos arguida pelos três ex-comissionados.
De aparência humilde, Silva comentou com a FOLHA, logo após chegar à sede do Gaeco pela manhã, que ''nem dormiu à noite'' pensando no interrogatório, para o qual foi intimado. ''Nunca vim num lugar deste, não sei o que vão me perguntar'', disse. No depoimento oficial, relatou ter sido contratado como assessor comunitário em meados de 2005 para entregar verduras em assentamentos e doações em instituições de caridade, além de fazer ''mudanças para pessoas que solicitavam ao gabinete''. O salário era de R$ 1 mil. Após três meses, conforme o ex-assessor, Arildo conversou com ele e ''determinou que fosse repassada a quantia de R$ 300'' para a esposa do vereador. Os repasses passaram a ser feitos mensalmente, em dinheiro sacado de uma conta-salário na agência do Banco do Brasil localizada dentro da Prefeitura. Silva alegou que se submeteu à determinação ''em razão de ter medo de ser mandado embora'' e ''não ganhar nem um, nem outro''.
No mesmo depoimento, o entregador disse ter sido informado pelo parlamentar que os outros assessores também teriam que devolver parte de seus vencimentos. Ele mesmo testemunhou ''em várias oportunidades'' os repasses efetuados pelos ex-assessores Paulo César Brito e Edson Luiz Baratto. Os dois confirmaram o fato ao Gaeco na última sexta-feira e também em entrevista à FOLHA. Ainda assim, Viana - irmão do ex-delegado-chefe da Polícia Federal de Londrina, Sandro Viana - fez questão de destacar, sobre o vereador: ''Sempre foi uma pessoa excelente, maravilhosa. Não tenho muito do que reclamar''.
O promotor Renato de Lima Castro não quis comentar o teor do depoimento, mas resumiu o ''procedimento padrão'' relatado por todas as testemunhas: ''O assessor comparece mensalmente ao banco, saca parte de ou todo o vencimento e destina a parcela determinada pelo vereador''. Segundo ele, se confirmados os fatos configuram concussão ''porque a pessoa que cede à exigência tem medo, uma vez que no cargo em comissão a qualquer momento o contratante pode exonerar sem qualquer justificativa''.
Empréstimos
Já a assessora Isabella Faiad disse ontem à reportagem, pouco depois de depor, que está no gabinete do tucano desde 2005 e que ''de maneira alguma'' teria sido obrigada a dividir salários, ou sequer presenciado algo do gênero com os ex-colegas de trabalho. Conforme as declarações oficiais dela ao Gaeco, sequer teria ouvido falar nesse tipo de prática ou mesmo sabido de quaisquer transações financeiras entre Arildo ou a esposa dele, Baratto, Viana e Brito. Assim como o vereador, a assessora - e também a esposa do parlamentar - colocou o sigilo bancário à disposição do Gaeco.
Valéria saiu do depoimento sem falar com a imprensa. Oficialmente, contudo, ela declarou serem inverídicas as afirmações dos ex-assessores do marido e reforçou a explicação de Arildo de que eles teriam tomado empréstimos pessoais do vereador - que, após o depoimento de segunda-feira, se disse uma pessoa ''muito caridosa'' e disposta ajudar os funcionários, sempre ''sem cobrança de juros''. Sobre Viana, Valéria citou ter feito ''diversos empréstimos a ele'', sobretudo, por meio de pagamentos de contas em mercados no cartão de crédito dela e do marido (a conta corrente é conjunta, alegou), ou em valores de R$ 50 ou R$ 100, em dinheiro, concedidos pelo vereador. Ela ainda refutou as colocações de que teria, no gabinete de Arildo, recebido as supostas divisões alegadas nos depoimentos pelos três ex-assessores - considerou tais comentários ''uma grande injustiça''.
O advogado de Arildo, Edgard Ehara - que acompanhou Isabella e Valéria - acredita que o fato de haver, até agora, três depoimentos contra o cliente com uma mesma linha de argumentação não são suficientes para incriminar o vereador. ''Isso não o complica. Temos que ver qual a lisura dessas pessoas e se tomar muito cuidado. Nada impede que os três tenham arquitetado essa perseguição política contra o vereador, tanto que a Isabella e a Valéria negaram que qualquer divisão fosse feita'', definiu Ehara, para concluir: ''Alguém está mentindo, eu sei que o Paulo (Arildo) está falando a verdade''.
Questionado se mais depoimentos devem ser tomados ao longo da investigação, o promotor Cláidio Esteves, à tarde, sinalizou: ''É possível''.


