Assessores confirmam ausência de controle
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sexta-feira, 04 de abril de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O ex-assessor de Osvaldo Bergamin (PMDB), Sérgio Sampaio, disse ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que os serviços da equipe do vereador afastado eram ''divididos entre os próprios assessores, sem interferência de Bergamin''. A declaração reforça a tese de que a Câmara e os próprios parlamentares não têm controle sobre o trabalho de todos os funcionários.
Nem o depoente, nem seu advogado, João Marcelo Martins Bandeira, quiseram dar entrevista à FOLHA. Bandeira é o mesmo advogado contratado para defender pelo menos outras duas assessoras de Bergamin: Jucélia Romagnolli e Vanderléia Faria da Mota, que depuseram anteontem.
No depoimento ao Gaeco, Sampaio declarou que era assessor comunitário desde o início de 2005 e que desempenhava funções de atendimento à população, relacionadas a impostos municipais, podas de árvores, doação de cadeiras de rodas e outras demandas. Sobre o trabalho de sua esposa, Vanderléia - investigada sob suspeita de ser ''funcionária fantasma'' - e de Jucélia, afirmou que ''às vezes'' elas compareciam no gabinete.
Ainda de acordo com o interrogado, Vanderléia tinha um salão de beleza há dois anos e atendia no local de manhã e depois das 18 horas - o restante do dia ela passava ''na rua''. Na semana passada, em gravação feita pela imprensa, ela admitiu que podia marcar hora para serviços de beleza de terça a sábado, inclusive à tarde, dependendo apenas de espaço na agenda.
Com relação a salários, Sampaio garantiu que nunca entregou parte de seus vencimentos (R$ 1.680,00 brutos) ao chefe, nem foi requisitado a fazê-lo. Disse ainda que tinha procuração para receber o pagamento da esposa e se dispôs a ter o sigilo bancário quebrado para averiguações.
Para o promotor do Gaeco, Cláudio Esteves, o depoimento não trouxe nenhum esclarecimento que possa ajudar nas investigações. ''A impressão que se tem é que não havia nenhum controle da atividade'', observou o promotor, que ainda não recebeu os ofícios solicitados à presidência da Câmara Municipal, no último dia 31, com a relação completa de funcionários da Casa e informações detalhadas a respeito do controle exercido sobre os mesmos.
Restam ainda dois, dos cinco assessores exonerados de Bergamin, para prestar depoimento ao Gaeco: Adilson Fernando Siena, ex-assessor comunitário, e Rosy Ferreira Bernardino, servidora que havia sido cedida pela Prefeitura de Londrina.


