Assessores do presidente Fernando Henrique Cardoso aprovaram a estratégia do governo de responder imediatamente às acusações do candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de que os recursos da privatização do sistema Telebrás seriam usados na campanha à reeleição. ‘‘As pessoas passam a pensar duas vezes antes de falar’’, argumentou um assessor. Fernando Henrique cobrou de Lula a apresentação de provas e decidiu entrar na justiça contra o adversário. ‘‘A idéia foi criar uma limitação para este tipo de ataque pessoal e que nada tem a ver com a disputa política.’’
O presidente apresentou, na sexta-feira, uma ação civil contra Lula, por crime de calúnia, e outra ação, na Procuradoria Geral Eleitoral, relacionando as declarações que considerou caluniosas a um crime eleitoral. A ação civil foi encaminhada à Procuradoria da República no Estado de São Paulo. O memorando que aponta crime eleitoral será examinado pela Procuradoria Geral Eleitoral e julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os assessores do presidente estudam ainda uma terceira ação, na qual Fernando Henrique contrataria um advogado pessoal para pedir, na Justiça comum em São Paulo, uma indenização por danos morais. ‘‘Nós não podemos deixar que a campanha ganhe este caminho, de acusações levianas’’, justificou o assessor do Planalto.
No memorando que entregou na Procuradoria Geral Eleitoral, o advogado do PSDB, Antônio Villas-Boas, invocou os artigos 324, 325 e 326 do Código Eleitoral que tratam dos crimes contra a honra. O advogado solicitou ainda que seja requisitada a fita na qual Lula aparece acusando o presidente de uso ilícito do dinheiro da privatização da Telebrás. Caberá ao procurador-geral eleitoral, Geraldo Brindeiro, analisar o documento e pedir a abertura de inquérito. (AE)

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