A assessora jurídica da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina Tatiana Muller pode ter de devolver os salários recebidos entre setembro e dezembro de 2012, caso o Ministério Público confirme que ela acumulou a função com o cargo de procuradora da Câmara de Bela Vista do Paraíso.
O acúmulo ocorreu entre setembro e dezembro de 2012, conforme cópias de documentos oficiais que compõem o pedido de abertura de inquérito protocolado no Ministério Público pelo ex-candidato a vereador Emerson Petriv, o Boca Aberta (PSC).
Em dois despachos, o ex-presidente da Câmara de Bela Vista do Paraíso Júlio César Moliani nomeia a advogada para o cargo no dia 1º de junho daquele ano e a exonera no dia 31 de dezembro. Ao mesmo tempo, ela foi nomeada como assessora técnica na CMTU pelo ex-presidente Octávio Cesário Leite em 30 de agosto de 2012.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público Renato de Lima Castro afirmou que analisa a documentação e que, caso seja caracterizada a duplicidade, pedirá a devolução dos salários.
No mês passado, ele já determinou que o vice-prefeito, Gusto Bellusci (PSD), o secretário de Governo, Paulo Arcoverde, e dois comissionados do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) devolvam os ganhos recebidos por acumular cadeiras nos conselhos administrativo e fiscal da Sercomtel.
Na terça-feira, o vereador Mário Takahashi (PV) também disse ter denunciado à subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) o acúmulo do cargo de assessora jurídica com o de conselheira da Junta Administrativa de Recursos de Infração (Jari), o que seria impedido pela própria entidade.
A assessoria da subseção londrinense confirmou ontem que recebeu consulta da Prefeitura de Londrina, provocada por um vereador, sobre a situação da assessora da CMTU. Entretanto, o documento foi encaminhado à seccional, em Curitiba, que tem a prerrogativa de analisar o caso, e aguarda a resposta.
Tatiana Muller não quis se pronunciar ontem para não prejudicar futura defesa, caso necessário, mas afirmou que pediu o desligamento da Jari no dia 5 de maio. A CMTU também não quis se manifestar.

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